quarta-feira, 9 de julho de 2008

O Eclipse (Itália,1962,118 mins)
Minha nota: [9,0] -
Por Wendell Borges – 09/07/2008

Comentário (não leia se não tiver assistido ao filme ainda): Michelangelo Antonioni (Ferrara, 29 de setembro de 1912 — Roma, 30 de Julho de 2007) um dos maiores diretores de cinema de toda a história realizou diversas obras cinematográficas as quais podemos chamar de arte.

Em sua grandiosa carreira temos a elogiada trilogia da incomunicabilidade onde ele aborda temas como a solidão da mulher e do homem modernos, a dificuldade dos relacionamentos, a falta e a dificuldade de comunicação entre as pessoas.

O Eclipse é o encerramento da trilogia e apenas a temática abordada é a mesma dos demais, porém não se trata de continuações, são tramas diferentes em cada um dos filmes, que iniciou com A Viagem (1960), depois com A noite (1961) e encerrou com este O Eclipse (1962). Estes três filmes de Antonioni podem soar aborrecedores e entediantes para muitos espectadores pois há longas seqüências em que os personagens mal conversam e não acontece quase nada, porém, os momentos de beleza visual são tantos que o espectador (principalmente os cinéfilos e os amantes da fotografia) com certeza irão arregalar os olhos para apreciar os planos gerais, a iluminação, as atuações do elenco principalmente Mônica Vitti.

A trama do filme está inteiramente detalhada na sinopse abaixo e aqui neste comentário vou apenas destacar as cenas que mais me chamaram atenção , logo no início do filme temos um abajur, alguns livros, uma xícara, mostrados em Plano de Detalhe. A câmera se movimenta e percebemos que havia um braço em cima dos livros, era o braço do personagem Riccardo vivido pelo ator Francisco Rabal, o diretor usa estes truques para mostrar ao espectador que nem tudo o que ele vê em cena é realmente o imaginado, estes truques são bastante usados por Antonioni em diversos outros filmes.

Há ainda uma outra cena por volta dos 29 minutos quando o diretor mostra uma mulata num quadro, parece que ela é a mulher que está na janela quando Anita e Vittoria olham, mas só percebi que não era quando a câmera se movimentou e foi até a porta. É o segundo truque do filme. Há uma propaganda da Coca-cola, aos 01:29:10, será que ela ajudou a patrocinar O Eclipse? Os outros destaques vão para todas as cenas filmadas na bolsa de valores e eu me pergunto quantas pessoas no mundo conseguem entender o que se passa ali em meio a tantos gritos e barulho ensurdecedor.

O Eclipse é um belíssimo filme que não pode deixar de ser visto por todos aqueles que apreciam a 7ª arte.

Veja o comentário que fiz dos outros filmes da trilogia da incomunicabilidade:

1 - A Aventura (1960)

2 - A noite (1961)

3 - O Eclipse (1962)

Obs: Antonioni queria ter colocado nos letreiros do filme estes versos do poeta Dylan Thomas: "Alguma certeza deve, porém, existir, se não a de amar bem, pelo menos a de não amar". O filme ganhou o prêmio especial do júri em Cannes.

Sinopse (detalhada do filme)

Obs: Eu retirei esta sinopse deste site, mas acrescentei alguns detalhes a mais e também coloquei links para fichas dos atores no IMDB e também a data de nascimento e morte de alguns dos atores do elenco.

Após passarem a noite discutindo o fim de um relacionamento de três anos, e chegado a um ponto onde nada mais pode ser dito ou feito, Vittoria (Mônica Vitti) e Riccardo (Francisco Rabal) acham-se emocionalmente exaustos. Riccardo ainda tenta salvar a relação, mas ela está segura de que o amor deles chegou ao fim. Vittoria sai e, caminhando, dirige-se ao seu próprio apartamento. Ainda sem descansar, ela vai até a Bolsa de Valores à procura da mãe, a fim de abrir seu coração para ela, mas esta, preocupada em realizar negócios especulativos, não lhe dá maior atenção.


Na ocasião, ela é apresentada a Piero (Alain Delon), um corretor da Bolsa. À noite, Vittoria conversa com sua vizinha, Anita (Rosanna Rory), quando o telefone toca. É Marta (Mirella Ricciardi), que mora defronte, convidando-as para irem ao apartamento dela. O apartamento de Marta é decorado com enormes fotografias de paisagens africanas, com rifles de caça, troféus e artefatos nativos. Marta nasceu e cresceu no Quênia. Quando ela põe um disco com a música exótica africana, Vittoria experimenta uma grande sensação de liberdade, pinta-se de negro e começa a dançar como se estivesse participando de algum ritual africano. Na mesma noite, de volta ao seu apartamento, Riccardo vai até lá, mas ela não o recebe. No dia seguinte, Vittoria acompanha Anita e o marido desta, um piloto, em uma viagem de negócios em seu monomotor, à Verona. Vittoria admira as vistas aéreas, a travessia de nuvens e, ao longe, os Alpes.


De volta à Roma, ela procura mais uma vez pela mãe na Bolsa de Valores. Ela chega exatamente no momento em que o mercado sofre uma enorme queda. O local se encontra um verdadeiro pandemônio de gritos, correrias, choros, telefonemas, pequenos investidores, inclusive sua mãe, completamente histéricos ao realizarem suas perdas. Mais uma vez, não consegue ter uma conversa com ela. À noite, quando Vittoria está trabalhando como tradutora, em seu apartamento, Piero chega em seu Alfa-Romeo conversível. Da calçada, ele lhe pede para entrar, mas ela não concorda. Nesse meio tempo, um bêbado entra no conversível e sai em disparada. Piero vai à Delegacia de Polícia mais próxima. Na manhã seguinte, o carro é guinchado de um pequeno lago. Vittoria junta-se a Piero, a quem diz que ficou contente por ele lhe ter telefonado.


Os dois saem à pé em direção ao apartamento de Vittoria. No meio do caminho, ele a beija, mas ela o afasta delicadamente e continua sozinha a caminhada. À noite, ela tenta várias vezes falar com ele por telefone, mas a linha está sempre ocupada. Persistente, ela consegue finalmente a linha mas, quando ele atende, ela não diz uma única palavra. (nesta cena ele grita dizendo pronto! Pronto! Com bastante raiva mas Vittoria decide desligar).Dias depois, os dois voltam a se encontrar, ocasião em que ele a leva a um antigo apartamento da família, localizado na zona histórica de Roma, que ele usa apenas para encontros amorosos. Vittoria se mostra confusa em relação a um relacionamento com Piero porque, embora se trate de um jovem bastante atraente, ela nota quão diferentes eles são.


Quando ele lhe fala em casamento, ela lhe diz que gostaria de não amá-lo ou de amá-lo muito mais do que o ama. Passam-se alguns dias até que os dois fazem amor numa poltrona do escritório dele, fechado para a hora do almoço. Eles se mostram apaixonados e relaxados. Na hora de Vittoria sair, eles marcam um encontro para a noite, na esquina próxima ao apartamento dela. Na realidade, eles concordam em se encontrar, também, no dia seguinte, no que se seguir a ele, para sempre. Embora haja uma certa ansiedade e dúvida no comportamento de Vittoria, tudo indica que o casal finalmente conseguiu um final-feliz para suas vidas.À noite, nenhum dos dois comparece ao encontro, conforme combinado, o diretor então mostra várias seqüências como um homem desligando a mangueira, pessoas passando pela rua, inclusive usa um truque com uma mulher de costa que parece ser Vittoria mas quando é revelado era uma outra pessoa.


Ficha Técnica: Direção: Michelangelo Antonioni Ano: 1962 País: França, Itália Gênero: Drama Duração: 118 min. / p&b Título Original: L'Eclisse Título em inglês: Eclipse

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