quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Ensaio de Orquestra (Prova d'Orchestra, 1978, Itália, 71 minutos)
Minha nota: [9,5] -
Por Wendell Borges - 26/08/2008

Comentário: Ensaio de orquestra narra em pouco mais de uma hora os relacionamentos de vários músicos com seus intrumentos. Filme em estilo quase documental com o talento do diretor Federico Fellini imbuído em cada fala. O prédio treme algumas vezes e o espectador acompanha os entrevistados, que aos poucos vão mostrando um pouco sobre sua intimidade com seus objetos musicais.

"Coragem, tente. A acústica é maravilhosa. Isto é uma capela, sabe? viu? Aquelas são as sepulturas de três papas e sete bispos. Isto aqui está cheio de mortos... (Surge a imagem da Harpa na tela).

Em 1781 esta capela tornou-se um auditório. Para concertos vocais e instrumentais. Todas as cortes da Europa nos invejavam, sabe por quê? Pela acústica!

Estes são os momentos iniciais de Ensaio de Orquestra onde vemos surgir o copista interpretado pelo ator Umberto Zuanelli que vai preparando o cenário para entrada dos músicos. Em seguida o professor (primeiro violino) interpretado pelo ator David Maunsell começa a anunciar o documentário que a TV está fazendo sobre a orquestra, na sequência, a bela pianista Mirella (Elizabeth Labi) e os outros músicos começam a entrar no cenário.

Fellini mostra o duelo de egos entre os próprios músicos e o maestro interpretado pelo ator Balduim Bass. Há várias referências às lutas sindicais e também à automação da arte, onde alguns músicos colocam um enorme metrônomo (Designação dada por J. N. Maelzel (1772-1838) ao instrumento que serve para regular os andamentos musicais) no lugar do regente.

O diretor ainda explora a questão da indisciplina, a morte do encanto da música e a subestimação do dom. Após a revolução dos músicos que picham a igreja e protestam contra a tirania do maestro, este retorna ao seu posto e começa novamente com sua ditadura impondo aos músicos o modo como estes devem tocar. Mais uma pequena obra-prima deste talentoso mestre da arte de fazer filmes.

Anotação para quem já viu o filme (Wendell Borges)

1 - Os dois melhores momentos do filme, a revolução dos músicos e o momento em que entendemos o que eram aqueles tremores na imagem em alguns momentos. A igreja estava para ser demolida quando a parede é arrebentada e os músicos se dão conta de que aquele templo acústico estava para ser destruído.


Elenco: Balduin Baas (Maestro) - Clara Colosimo (Harpista) - Elizabeth Labi (Pianista) - Ronaldo Baracchi ( Fagotista) - Ferdinando Villella(Violoncelista) - David Maunsell (Primeiro violino) Francesco Aluigi (Segundo violino) - Andy Miller (Tocador de Oboé) - Sibyl Mostert (Flautista) Franco Mazzieri (Trumpetista).

Sinopse: Durante um ensaio de uma orquestra sinfônica, uma estação de televisão aparece para filmar os treinos e entrevistar os músicos. Durante as entrevistas, rinhas pessoais e competições internas entre os instrumentos são revelados, assim como a antipatia para com o maestro. A grande pergunta, numa sociedade anárquica e controlada por sindicatos e extremistas, pode haver música?

Ficha Técnica: Direção: Federico Fellini - Roteiro: Federico Fellini, Brunello Rondi - Gênero: Drama/Música - » Origem: Itália - » Duração: 70 minutos - Tipo: Longa.

Federico Fellini
Nascimento: 20/01/1920
Morte: 31/10/1993
Cidade: Rimini

Biografia:Um dos grandes gênios da história do cinema, Federico Fellini criou um estilo tão particular que deu origem ao adjetivo "felliniano". Tendo calcado grande parte do seu trabalho em suas próprias vivências, conseguiu atingir dimensão universal com seus personagens bizarros, verdadeiras caricaturas humanas e o lirismo sempre presente em seus trabalhos.

Nascido em Rimini, às margens do Adriático, Fellini foi cartunista, chargista e repórter na juventude. Colaborou no roteiro do clássico "Roma, Cidade Aberta", que deu origem ao movimento neo-realista. Estreou em parceria com Alberto Lattuada em "Mulheres e Luzes", estrelado por sua mulher, Giulietta Masina. Com ela, faria seus maiores sucessos dos anos 50, "La Strada" e "Notti di Cabiria".

Em 1960 chocou os italianos com "A Doce Vida" e em 1963 realizou um de seus trabalhos mais perfeitos, "Oito e Meio", sobre os dilemas de um diretor ás vésperas da realização de um filme. A obra foi muitas vezes citada e copiada .

Em 1974, fez o que é provavelmente seu trabalho mais popular, "Amarcord". Irritado com o domínio da televisão sobre a vida das pessoas, atacou o veículo em "Ginger e Fred".

Homenageado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood com um Oscar especial em 1993, o cineasta ficou doente pouco depois e morreu em outubro de 1993. Giulietta Masina, companheira de toda a vida, não suportou a perda e morreu em seguida.
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3 comentários:

  1. Legal o teu trabalho neste blog, estou pesquisando alguns gostos em comum e acabei por aqui. Então te deixo o convite pra conferir meu blog .Sou envolvido em cinema também, faço parte de um coletivo e se tiver interesse de saber mais aparece lá.ehehe.
    Abração

    Wender Zanon
    www.discoduplo.blogspot.com

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  2. valeu mesmo brother, passa lá confere e me diz o que achou. eheheh

    quase xará.

    Abração

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  3. Sempre me surpreendo com as produções do Fellini. Apesar deste não ser o meu favorito, é um dos que mais gosto. Imperdível!

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