domingo, 24 de agosto de 2008

A Malvada (All About Eve,EUA,1950,138 mins)
Minha nota: [9,0] -
Por Wendell Borges - 24/08/2008

Comentário (não leia caso não tenha assistido ao filme ainda):
Logo no início do filme ouvimos a voz do ator George Sanders que apresenta alguns dos personagens que irão protagonizar os papéis principais do filme que se inicia. Visualizamos a meca do teatro que ali se encontra reunida para a cerimônia anual de entrega dos troféus Sarah Siddon (famosa atriz inglesa do século 18).

O curioso é que na época da realização de "A Malvada" em 1950 este prêmio era fictício, só existia ali naquele espaço cênico criado para o filme e somente a partir de 1952 é que o prêmio foi realmente instituído. Entre os presentes da cerimônia fictícia, encontram-se Addison DeWitt (George Sanders), um renomado crítico teatral, Karen Richards (Celeste Holm), esposa do dramaturgo Lloyd Richards (Hugh Marlowe), Max Fabian (Gregory Ratoff), um produtor de peças teatrais, Margo Channing (Bette Davis), uma famosa atriz de 40 anos, Bill Sampson (Gary Merril) namorado de Margo e diretor de teatro e Eve Harrington (Anne Baxter), a mais jovem atriz que será agraciada com o referido troféu.

O filme tem boas atuações e uma trama envolvente, com olhares cínicos e frases curtas cheias de acidez, mostrando todo o universo de vaidade e ambição do teatro novaiorquino.

A atriz Bette Davis (1908-1989), uma das mais famosas e charmosas atrizes do período clássico do cinema norte-americano foi indicada ao oscar de melhor atriz por este trabalho em "A Malvada", no qual ela interpreta a famosa atriz de teatro Margo Channing. O curioso é porque a personagem com índole realmente má não é o de Bette Davis e sim, a personagem de Anne Baxter que também foi indicada a melhor atriz por seu excelente trabalho como Eve Harrington. Ambas perderam o prêmio para Judy Holiday que foi agraciada com o oscar pela personagem Emma "Billie" Dawn em "Nascida ontem".

A Malvada tem quase duas horas e vinte minutos de duração e acompanhamos todas as artimanhas da ambiciosa Eve Harrington que almeja um espaço na meca do teatro e quer ter seu nome reconhecido a todo custo. Ao fazer amizade com Karen Richards (Celeste Holm), ela vê a oportunidade de conhecer sua atriz preferida, Margo Channing. Esta por sua vez encantada com o carisma de Eve a contrata como secretária e vê pouco a pouco que seu mundo ao lado do namorado Bill Sampson (Gary Merrill) começa a ser ameaçado pelos encantos de Eve. As duas passam então a protagonizar cenas de ciúmes.

Frustrada com os crescentes elogios à rival, Margo entrega-se à bebida e é consolada por Bill e Karen, mas Margo só consegue sair do marasmo que vinha se entregando quando Bill a pede em casamento. Neste ínterim Addison DeWitt, cínico e manipulador crítico de teatro parece desejar às escondidas por Eve, ele então investiga seu passado e decide colocá-la contra a parede. Num dramático confronto, ele põe abaixo tudo o que Eve havia construído para ingressar no mundo teatral de Nova York, ao afirmar: "Em primeiro lugar, seu nome não é Eve Harrington e sim, Gertrude Slescynski; seus pais são pobres e não têm notícias suas há três anos; você recebeu US$ 500 para deixar a cidade, onde trabalhava numa cervejaria, após um rumoroso envolvimento com o seu chefe". Eve vê-se então presa nas teias ardilosas de Addison,e é obrigada a concordar com suas pretensões, verificando que se tornou vítima de suas próprias armadilhas.

Após esta revelação o filme retorna à cerimônia de premiação, onde Eve acaba de receber o troféu Sarah Siddon de melhor atriz e começa a elogiar todos que a ajudaram a receber o prêmio num dos melhores momentos do filme, onde os olhares cínicos fervem na tela, é a ilusão do mundo teatral. Margo então não perde a oportunidade de cumprimentar Eve e fazer um comentário ferino à respeito do prêmio que ela recebera.

Ao regressar para seu apartamento Eve encontra uma bela adolescente chamada Phoebe, que a esperava deitada em sua poltrona. Ela revela ser presidente de um fã-clube do Brooklyn. Eve decide chamar a polícia, mas lisonjeada com os encantos de Phoebe, ela parece perceber o reflexo da jovem em si própria e a deixa permanecer no local.

O filme é dirigido por Joseph L. Mankiewicz (1909-1993), que dirigiu entre outros sucessos o filme Cleópatra com Elizabeth Taylor e Richard Burton.

Obs 1: Na trilha sonora há um momento em que um trecho do piano-solo Liebestraum nº 3 é tocado por um pianista interpretado pelo ator Claude Stroud (1907-1985).

Obs 2: A atriz Celeste Holm nasceu em 1917, está com 91 anos e ainda atua, tem um filme em pós-produção chamado Driving Me Crazy (2008)

Obs 3:
Alguns dos atores de "A Malvada" que já faleceram. +

Anne Baxter (1923-1985)
Barbara Bates (1925-1969)
Bette Davis (1908-1989)
George Sanders (1906-1972)
Gary Merrill (1915-1990)
Gregory Ratoff (1897-1960)
Hugh Marlowe (1911-1982)
Marilyn Monroe (1926-1962) 6º filme de Marilyn Monroe
Thelma Ritter (1905-1969)

Anotações que fiz durante o filme para relembrar momentos da trama (Wendell Borges)

1 - A cena de ciúmes entre Bill e Margo quando ele cita uma piada envolvendo o dramaturgo americano Clyde Fitch (1865-1909) é um dos bons momentos do filme. "Parece que saiu de uma velha peça do Clyde Fitch" - "Neguei que tivesse feito O Primo Americano na noite em que Lincoln foi morto.

2 - "Formou-se pela escola de arte dramática Copacabana". Esta é a cena em que Marylin Monroe faz uma ponta no papel de Cláudia Casswell, ela é apresentada a Margo (Bette Davis-) por Addison DeWitt, o ator George Sanders que no início do filme apresenta alguns personagens da trama no momento em que o prêmio é entregue a Eve Harrington.

3 - Aos 47 minutos é tocado Liebestraum nº 3 (palavra alemã que significa Sonhos de amor) do pianista Franz List. Liebestraum é uma das três obras para piano solo de Franz List.

4 - Bill tem 32 e vai parecer ter 32 daqui a 20 anos. Odeio os homens (Desabafo de Margo conversando na cozinha com Lloyd Richards sobre seus 40 anos e como se sente velha).

5 - "Se quero uma coisa eu vou atrás, nao quero que a coisa venha atrás de mim". Bill Sampson dá um fora nas cantadas da dissimulada Eve Harrington que infla de raiva.

7 - A verdade sobre Eve, seu nome não é Eve e sim Gertrude Slescynski, os pais dela são pobres e ela trabalhou realmente na cervejaria como havia contado.

8 - Eve agradece ao produtor Max Fabian, à sua amiga Karen Richards, Margo que foi sua amiga e lhe arranjou emprego como secretária e o diretor Bill Sampson. Por último ela agradece ao roteirista Lloyd Richards.

9 - Ao voltar da festa Eve vê uma garota chamada Phoebe (Barbara Bates) em seu apartamento, uma fã que parece disposta a tudo assim como ela em se tornar uma famosa atriz. O filme termina com Phoebe segurando o prêmio de Eve deixado por Addison, ela fica em frente ao espelho imaginando seu futuro como atriz.

10 - A atriz Thelma Ritter (1905-1969) que faz o papel de Birdie, a camareira de Margo, percebe que Eve não é a pessoa que diz ser e tenta alertar a patroa.

Sinopse: Eve Harrington subiu na vida através do sucesso de Margo Channing, uma grande estrela da Broadway de quem era fã antes de entrarem em uma pesada disputa pessoal.

Prêmios Recebidos
Academia de Artes Cinematográficas e Ciências de Hollywood - Los Angeles, EUA
Oscar de Melhor Filme
Oscar de Melhor Direção
Oscar de Melhor Roteiro
Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (George Sanders)
Oscar de Melhor Figurino
Oscar de Melhores Efeitos Sonoros

Academia Britânica de Cinema e Televisão (BAFTA), Inglaterra Prêmio de Melhor Filme
Prêmios Globos de Ouro, EUA
Prêmio de Melhor Roteiro
Festival Internacional de Cannes, França
Prêmio de Melhor Atriz (Bette Davis)
Prêmio Especial do Júri (Joseph L. Mankiewicz)

Indicações
Academia de Artes Cinematográficas e Ciências de Hollywood - Los Angeles, EUA
Indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Bette Davis e Anne Baxter)
Indicado ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Celeste Holm e Thelma Ritter)
Indicado ao Oscar de Melhor Fotografia
Indicado ao Oscar de Melhor Direção de Arte
Indicado ao Oscar de Melhor Edição
Indicado ao Oscar de Melhor Trilha Sonora

Ficha Técnica: Direção: Joseph L. Mankiewicz - Roteiro: Joseph L. Mankiewicz - Produção: Darryl F. Zanuck - Música Original: Alfred Newman - Música Não Original: Franz Liszt - Fotografia: Milton R. Krasner - Edição: Barbara McLean - Direção de Arte: George W. Davis, Lyle R. Wheeler - Figurino: Edith Head - Efeitos Especiais: Fred Sersen - Efeitos Sonoros: W. D. Flick, Roger Heman - País: USA - Gênero: Drama.
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2 comentários:

  1. Um dos melhores roteiros da história. Sofisticação a serviço de um bom elenco. Clássico!

    Abraço!

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  2. Wendell, um dos meus vinte favoritos filmes do cinema. Boa escolha. Filme sempre a ser revisto. Abcs.

    Ps: Valeu, te adicionei ao meu blog tbm.

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