quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Árido Movie (Brasil,2004, 115 mins)
Minha nota: [7,9] -
Por Wendell Borges - 14/08/2008

Comentário: A modelo Suyane Moreira que faz o papel da personagem Wedja neste novo trabalho de Lírio Ferreira (Baile Perfumado) saiu aqui da minha terrinha Juazeiro do Norte e ganhou fama internacional desfilando nas principais passarelas do mundo. Ganhou status e com sua beleza exótica conseguiu atrair a atenção da mídia brasileira sendo entrevistada nos programas do Jô Soares, Amaury Junior e fez pontas em novelas e seriados da TV e atualmente está na novela trash de mutantes da Record (Os Mutantes-Caminhos do Coração).

Apesar de não ter gostado da atuação dela, a aspirante a atriz realmente impressiona com seu visual que mistura as raças Indígena e negra e este diferencial ajuda bastante em sua aparição na tela já que suas falas no filme são bem reduzidas.

O diretor Lírio Ferreira em sua segunda investida em longas metragens ganhou destaque após o sucesso de seu primeiro filme Baile Perfumado no qual ele co-dirigiu e roteirizou juntamente com Paulo Caldas (1993), ganhando assim 3 prêmios no Festival de Brasília, um dos principais festivais de cinema do Brasil.

O que mais gostei neste Arido Movie foram os belíssimos planos de transição de uma tomada a outra e o incômodo que o filme causa em alguns momentos principalmente no final, apesar de nunca ter experimentado nenhum alucinógeno a sensação das cenas finais são de deixar qualquer espectador meio zonzo e confuso. A intenção do diretor parece ter sido esta, causar estranheza e perturbar o espectador, fazê-lo ter uma experiência diferente. A trama do filme gira em torno da vinda de Jonas (Guilherme Weber) à cidade fictícia Vale do Rocha (próximo à capital do Estado de Pernambuco, Recife). Ele é um repórter do tempo de uma grande rede de TV e reside em São Paulo. Jonas é então chamado pela avó Dona Carmo (Maria de Jesus Bacarelli) para vir ao enterro de Lázaro (o pai que ele não vê desde criança), interpretado por Paulo César Pereiro.

Três amigos de Jonas interpretados por Selton Melo(Bob), Mariana Lima (Verinha) e Gustavo Falcão (Falcão) acabam seguindo-o até Vale do Rocha enquanto isto ele faz amizade com a artista plástica e Vídeomaker Soledad (Giulia Gam) que está fazendo um documentário sobre a água no sertão pernambucano, nisso ela acaba conhecendo e entrevistando personalidades típicas que surgem neste clima seco e desolado. Ao chegar à cidade Jonas começa a se envolver nos assuntos familiares e faz amizade com Zé Eletrico (José Dumont), um mecânico que sabe onde está escondido o homem que matou o pai dele, o irmão de Wedja intepretado por Luiz Carlos Vasconcelos.

Outro destaque vai para nostálgica trilha sonora que resgata a banda Renato e seus Blue Caps e também prestigia o músico regional Otto. Para finalizar, Arido Movie se comparado a outros trabalhos como O céu de Suely, Cinema,Aspirinas e Urubus não consegue ter a mesma força cinematográfica destes trabalhos de diretores nordestinos, mas mesmo assim é um trabalho que merece ser visto.

Obs: Observem que já nos créditos iniciais, o filme conta com uma visão panorâmica sobre o mar indo ao encontro de uma praia, e ao fundo uma música soando “o sertão vai virar mar, e o mar vai virar sertão”. Quem já assistiu o filme Deus e o diabo na Terra do sol vai entender, a cidade fictícia de nome Rocha é uma homenagem ao diretor Glauber Rocha.

Anotações para quem já viu o filme (Wendell Borges)

1 - Os momentos musicais do filme, como a apresentação da Banda Renato e seus Blue Caps cantando duas músicas no bar logo no início do filme são muito boas. Eles tocam a música "Quando a cidade dorme",o grupo ficou famoso na época da jovem guarda por fazer muitas versões das músicas dos Beatles.

2 - A cena em que Celton Mello e seus dois amigos dançam na plantação de Maconha ao som da música My Mistake do grupo Pholhas é uma das melhores do filme.

3 - O final confuso com o pai de Jonas aparecendo vivo e a câmera subjetiva mostrando o cenário do bar aos olhos de Jonas que parecia estar drogado e depois levando um tiro de Wedja. Ele volta a aparecer depois ao lado de Soledad já de volta a São Paulo na exibição do trabalho que Soledad vinha realizando.

4 - A fotografia é muito bonita, a direção de arte tem composições cuidadosas (eu destaco as tomadas aéreas dos créditos iniciais do filme, os longos planos com a câmera em movimento - Em especial o plano circular entre as pedras do Cachorro e do Elefante na cena em que Zé elétrico explica a Jonas a nossa deficiência em enxergar as coisas.)

5 - O sertão vai virar Io.

6 - José Celso Martinez Correa (o Zé Celso) interpreta o personagem "Meu Velho", uma espécie de guru do sertão.

Sinopse: Jonas (Guilherme Weber) é o repórter do tempo de uma grande rede de TV, que mora em São Paulo mas está rumo à sua cidade-natal, localizada no interior do nordeste. O motivo é a morte de seu pai (Paulo César Pereio), com quem teve pouquíssimo contato e que foi assassinado inesperadamente. Jonas enfrenta problemas para chegar à cidade, até que recebe carona de Soledad (Giulia Gam), uma videomaker que está fazendo um documentário sobre a água no sertão. Ao chegar ele encontra uma parte da família a qual não conhecia até então, que lhe cobra que se vingue da morte do pai.

Ficha Técnica: Árido Movie, Brasil, 2004, 115mins - Direção e Roteiro: Lírio Ferreira.
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Um comentário:

  1. Liga dos Blogues Cinematográficos9:21 AM

    Oi, se vc ainda tiver interesse em fazer parte da Liga dos Blogues Cinematográficos, a seleção de novos membros começou: www.ligadosblogues.wordpress.com

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