domingo, 17 de agosto de 2008

Transamerica (EUA,2005, 103 mins)
Minha nota: [9,0] -
Por Wendell Borges - 17/08/2008

Comentário: Quando uma atriz é agraciada com um oscar ou até mesmo com uma indicação ao prêmio pode-se esperar uma atuação empolgante, engraçada ou emocionante das indicadas. Mesmo não tendo levado o prêmio de melhor atriz no oscar 2006, este ficou com a atriz Reese Witherspoon por sua interpretação em Jonhy e June, Felicity Huffman consegue com brilhantismo transmitir toda a dor e sentimentos de sua personagem, um transexual chamado Bree Osbourne que está prestes a fazer uma cirurgia para mudança de sexo. Huffman já havia recebido o Globo de Ouro 2006 de melhor atriz por este trabalho.

O filme trata o tema com bom humor e leveza e as cenas que poderiam soar melodramáticas são contidas e com boa carga dramática. Graças é claro ao talento de Huffman. Ela contracena com Kevin Zegers que interpreta seu filho chamado Toby, os dois vão se conhecendo numa viagem rumo à Califórnia partindo de Nova York. Toby não sabe que Bree é na verdade seu pai, eles se conhecem quando Bree vai tirá-lo da cadeia e esta se faz passar por uma missionária cristã fazendo caridades. A direção do filme ficou por conta do estreante Duncan Tucker que também assina o roteiro.

O filme ainda conta com as atuações de Fionnula Flanagan, a mãe de Bree, numa atuação bastante caricata; Graham Greene numa rápida participação no papel de Calvin, um descendente de Índios que oferece carona a Bree e Toby depois que eles foram assaltados por um Hippie interpretado por Grant Monohon. Para finalizar temos Carrie Preston no papel de Sidney, irmã de Bree e o pai delas, o personagem Murray, interpretado por Burt Young.

Não há como descrever a experiência de se assistir ao filme Transamérica em poucas palavras, é um líbelo contra o preconceito sexual que ainda existe e quem sabe no futuro a humanidade consiga fazer as novas gerações respeitarem a liberdade de ser e de viver, desde é claro que sejam respeitados também os direitos e a liberdade dos demais.

Obs: A atriz Felicity Huffman é casada com o ator William H. Macy que é um dos produtores executivos de Transamérica.

Obs2: Transamerica recebeu também uma indicação na categoria Melhor Canção Original ("Travelin' Thru") perdendo para a canção "It's Hard Out Here for a Pim" do filme Ritmo de um sonho.

Anotações para quem já viu o filme (Wendell Borges)

1 - Toby é um garoto de programa e termina o filme como ator pornô de filmes homossexuais. Ele diz em um certo momento do filme que gostaria de seguir carreira no cinema.

2 - O filme termina com Toby e Bree sentados no sofá conversando, ele mostra a ela o cartaz de seu filme.

3 - A cena em que Bree chora ao lado de sua terapeuta Margaret (Elizabeth Peña) é uma das melhores do filme.

Sinopse: Bree Osbourne (Felicity Huffman) é uma orgulhosa transexual de Los Angeles, que economiza o quanto pode para fazer a última operação que a transformará definitivamente numa mulher. Um dia ela recebe um telefonema de Toby (Kevin Zegers), um jovem preso em Nova York que está à procura do pai. Bree se dá conta de que ele deve ter sido fruto de um relacionamento seu, quando ainda era homem. Ela, então, vai até Nova York e o tira da prisão. Toby, a princípio, imagina que ela seja uma missionária cristã tentando convertê-lo. Bree não desfaz o mal-entendido, mas o convence a acompanhá-la de volta para Los Angeles.

Premiações
- Recebeu 2 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Atriz (Felicity Huffman) e Melhor Canção Original ("Travelin' Thru").
- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz - Drama (Felicity Huffman), além de ser indicado na categoria de Melhor Canção Original ("Travelin' Thru").
- Ganhou 2 prêmios no Independent Spirit Awards, nas categorias de Melhor Atriz (Felicity Huffman) e Melhor Roteiro de Estréia. Foi ainda indicado na categoria de Melhor Filme de Estréia.
- Recebeu o prêmio de Melhor Atriz (Felicity Huffman), no Festival de Tribeca.

Curiosidades: A idéia do roteiro de Transamerica surgiu após uma conversa entre o diretor e roteirista Duncan Tucker e a atriz transexual Katherine Connella. Enquanto conversavam sobre a percepção feminina e masculina, Connella surpreendeu Tucker ao lhe contar que havia nascido como homem. Os dois já haviam dividido a mesma casa por 4 meses, sem que o diretor desconfiasse que ela fosse transexual.

Ficha Técnica: Transamerica, EUA,2005, 103 mins - Direção e roteiro: Duncan Tucker
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3 comentários:

  1. Obviamente que Felicity Huffman domina o filme, quase que o canabaliza. Um entrar por um tema que ainda é um pouco tabu na nossa sociedade, mas que é retratado com leveza, sensibilidade e uma perspicaz pitada de humor.

    7/10.

    Abraço.

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  2. Muito bom o filme. Sendo o destaque mesmo a Felicity Huffman, que merecia o Oscar. Tocante, original e maduro.

    Nota 8,5 [****]

    Ciao!

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  3. Um grande filme.
    Felicity Huffman em uma esplêndida atuação. E a história do filme é de uma simplicidade só. Tenho uma certa caída para filmes independentes assim, como esse, Pequena Miss Sunshine ou Juno.

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