sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A Estrela Imaginária (Stella Che Non C’è, La, França/Itália/Singapura/Suíça,2006,103 mins)
Nota: [7,9] -
Por Wendell Borges - 12/09/2008

"A cana de açúcar nunca é doce dos dois lados"

Comentário (não leia caso não tenha visto o filme ainda): O diretor e roteirista Italiano Gianni Amelio nasceu em 1945 em San Pietro di Magisano,província de Cantazaro, Calabria. Ele foi criado pela mãe e pela avó, o pai mudou-se para Argentina logo depois de seu nascimento. Devido a este fato uma das temáticas que ele aborda em muitos de seus trabalhos é a ausência do pai, tema este que voltou a ser trabalhado no excelente As Chaves de Casa, filme este que tive o prazer de assistir há poucos dias. Dois anos depois, Gianni em parceria com o roteirista Umberto Contarello, baseados no romance "The Dismissal" de Ermanno Rea, filmou este drama que explora uma jornada cultural envolvendo um engenheiro italiano chamado Vincenzo Buonavolontá (Sergio Castellito) e uma jovem tradutora chinesa chamada Liu Hua (Tai Ling).

Nós acompanhamos a viagem de Vincenzo até a China com o intuito de reparar uma peça de uma caldeira que fora vendida a uma empresa chinesa. Durante a busca pela fábrica onde se encontra a caldeira que precisa de reparos o espectador é convidado a acompanhar os choques culturais vividos pelo italiano que descobre uma China bem diferente do que imaginava. O filme tem narrativa extremamente lenta e o espectador precisa estar bastante desperto para não dar aqueles cochilos ligeiros quando se assiste a produções com narrativa lenta.

A questão aqui é que esta lentidão é proposital, ela tem um fundo estético e os planos, cenas e sequências estão ligados à conduta filosófica do povo chinês. Este simbolismo na condução tanto da narrativa quando da fotografia, cujo diretor Luca Bigazzi opta por cores em tons azul, verde e cinza na maior parte do tempo, ajuda a compor este painel que nos faz adentrar no universo das personagens, nos olhares e reflexões para com suas vidas, além de aprimorar as paisagens chinesas. Um dos melhores momentos do filme se dá na travessia do Rio Yangtzé (azul), o maior rio da Ásia com cerca de 6.300 km onde está a maior central Hidroelétrica do mundo, conhecida como a Hidroelétrica de três gargantas. Para finalizar este comentário eu transcrevo abaixo o diálogo entre Liu e Vincenzo durante a passagem do rio azul.
- Onde estamos? (Vincenzo)
- Em Yangtze, O Rio Azul. (Liu)
- Quando tiram as belas fotos dos postais?
- Só quando tem sol, uma vez por ano. (NESTE MOMENTO PREFIRA A VERSÃO DUBLADA, POIS A LEGENDA ESTÁ ERRADA, ELES COLOCARAM "QUANDO NÃO TEM SOL" AO INVÉS DE "SÓ QUANDO TEM SOL")
- Mesmo assim é bonito.

- Logo será um lago com 600km de extensão. A maior represa do mundo é aqui.

- É aqui a represa? Vamos passar por ela?

- Não, tá do outro lado.

- Sabia que ela produz 18 mil megawatts de eletricidade para Xangai e 7 ou 8 províncias?

- A cana de açúcar nunca é doce dos dois lados.
- O que quer dizer?
- As pessoas tiveram que sair das suas casas. Tudo o que está vendo será inundado.

- É o progresso.

A sequência deste diálogo também é muito boa com Vincenzo renegando o uso de celulares e ambos mostrando a solidão de suas vidas.

Obs: O roteiro de Gianni Amelio e Umberto Contarello foi baseado no romance "The dismissal" de Ermanno Rea. (The dismissal - significa A demissão ou A despedida)

Sinopse: Uma jornada pelas fantásticas paisagens de uma China transformada, da agitada Xangai às fábricas nas áreas rurais. Um engenheiro italiano descobre um defeito em uma peça de uma das caldeiras que foram recentemente vendidas a uma empresa chinesa. Ele rastreia o paradeiro da caldeira, indo parar em algum lugar no meio do território chinês com a ajuda muito mais do que fugaz da tradutora que está passando por sua própria jornada frente as mudanças de valores que estão acontecendo no país.

Elenco: Sergio Castellitto (Vincenzo Buonavolontà) - Tai Ling (Liu Hua) - Angelo Costabile (Giovane operário) - Hiu Sun Ha (Chong)

Ficha Técnica: Stella Che Non C’è, La, França/Itália/Singapura/Suíça,2006,103 mins - Direção: Gianni Amélio - Roteiro: Ermanno Rea (romance), Gianni Amelio, Umberto Contarello.
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4 comentários:

  1. EU ASSISTI AO FILME POR ACASO, E... FIQUEI PERDIDAMENTE APAIXONADO PELO FILME, PELA CHINA, SEU POVO, SUA CULTURA, PELOS PERSONAGENS, E ENFIM, APESAR DE PARECER NÃO TER UM FIM CONCLUSIVO, EU CONFESSO:ACHEI ÓTIMO O FILME E RECOMENDO A TODOS. E SÉRGIO E TAI LING VOCÊS FORAM ÓTIMOS!!!

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  2. Anônimo4:11 AM

    Não é um grande filme, mas um ótimo filme. Merece ser visto.

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  3. BEM QUE PODIAM FAZER A PARTE II,A CONTINUAÇÃO DESTE FILME... SERIA MUITO BOM VER OS PERSONAGENS OUTRA VEZ EM AÇÃO.

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  4. A busca de Vicenzo chega ao final descobrindo que os chineses já tinham descobrido e fabricado peças novas para o defeito que ele julgava enorme...
    Vicenzo e sua busca encarnariam a pseudo-superioridade ocidental sobre os orientais.que vai se perdendo ante a realidade.

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