domingo, 7 de setembro de 2008

Léolo (Canadá,França, 1992, 107 mins)
Minha nota: [9,0] -
Por Wendell Borges - 06/09/2008

"Por que eu sonho, não sou eu."
O mantra de Léolo.

Comentário (não leia caso não tenha visto o filme ainda): O diretor Jean-Claude Lauzon nasceu em Quebec em 1953 e faleceu em 1997 em um acidente de avião tendo dirigido apenas 3 filmes, Piwi em 1981(curta-metragem premiado no Festival de Montreal), Un Zoo la nuit em 1987 (Filme bastante premiado incluindo 11 Genies, o oscar do Canadá) e este Léolo em 1992 (filme que recebeu uma indicação à Palma de Ouro em Cannes). Lauzon era de família pobre, teve vários empregos até concluir a faculdade de comunicação. Mudou-se para Los Angeles no final dos anos 70 para estudar cinema, fez vários curtas-metragens sendo Piwi o mais reconhecido, além dos dois longas já citados acima.

O filme narra a vida de uma excêntrica família canadense cujo membro mais reflexivo, o jovem Léolo (Maxime Collin), escreve suas memórias em um caderno, seu gosto pela leitura começa quando ele lê um clássico francês intitulado "québécois L'Avalée des Avalés" de Réjean Ducharme.

O filme projeta nas situações vividas pelos personagens diversos conceitos de psicanálise como as fases oral, anal e genital. O pai de Léolo por exemplo parece estar aprisionado na fase anal, pois seu prazer com relação ao produto fecal é obsessivo e ele obriga os filhos a tomar laxante enquanto aguarda o resultado na porta do banheiro. Léolo é o único que tenta escapar das prisões mentais, ele se recusa em certo momento a tomar o laxante e engana o pai diversas vezes usando as fezes da irmã para saciar a obsessão do pai em vê-lo defecar. O irmão Fernand (Yves Montmarquette) com complexo de inferioridade é um fisiculturista obsessivo, porém toda a sua fragilidade é revelada quando anos depois é surrado novamente por seu inimigo de adolescência, numa das cenas mais cômicas do filme.

A mãe de Léolo, personagem vivida pela atriz Ginette Reno é o centro da família, ela detêm o controle emocional, mas não consegue evitar que os filhos tenham o mesmo destino do avô de Léolo, o esquizofrênico interpretado por Julien Guiomar. Quando descobre o sexo Léolo apaixona-se pela vizinha Bianca (Giuditta Del Vecchio) e para satisfazer sua libido ele encontra diversas maneiras de criar vaginas artificiais, numa das cenas mais hilariantes do filme, Léolo corta um pedaço de fígado, tentando dar a ele o formato de uma vagina, introduz o pedaço de fígado nas calças e masturba-se vendo fotos de mulheres nuas. Um filme incrível, cheio de situações inusitadas e com personagens bem construídos. Reflexivo e poético.


Obs: O filme é narrado por Gilbert Sicotte (18/02/1948)

Obs 2: Léolo imagina ser um garoto italiano nascido do tomate que carregava o esperma de um camponês siciliano. A grande pergunta que fica é: Como é que o tomate que continha o esperma foi parar dentro da vagina da mãe de Léolo? Quanta imaginação!!!





Anotações para quem já viu o filme
(Wendell Borges)

1 - Tudo o que peço de um livro é que me dê energia e coragem para dizer a mim mesmo que há vida para além da que conheço, para me lembrar de que é necessário agir. (Leolo)

2 - L' avalée des avalés - Por que eu sonho, não sou eu.

3 - Eu começei a escrever tudo o que se passava na minha mente. Minha família passou a ser personagem de uma ficção. E falo deles como se eles fossem estranhos.

4 - Leo é o único que se recusa a tomar o laxativo.

5 - O cocô passou a ser uma obsessão familiar.

6 - Por que sonho eu não sou, eu não sou.

7 - Leolo acha um disco de Jacques Brel quando estava juntando lixo com o irmão.

9 - Talvez porque eu soubesse que já estava morto. (LEOLO) na cena em que seu avô tenta afogá-lo na piscina de plástico.

10 - Minha irmã Nanette, Minha rimã rita, meu irmão Fernand e meu pai todos loucos no hospital psiquiátrico junto com o avô.

11 - Porque meu nome é Léolo Lozone.

12 - Leolo pega as fezes de sua irmã Rita fingindo que são as suas e as despeja no vaso. Seu pai espera ansioso.

13 - Eu adorava quando ela me puxava para suas banhas. O cheiro de seu suor me consolava (Leolo falando de sua mãe)

14 - Um coelho branco desenhado na neve. A cena em que Fernand e a mãe conversam com o conselheiro da escola que analisa o desenho feito por Fernand. Ele insiste ter desenhado um coelho branco na neve, mas a folha estava em branco.

15 - Bianca, meu amor. Leolo olha sua amada trocar de roupa pelo buraco da fechadura. Ele arregala os olhos ao ver que seu avô estava com ela.

16 - A cena em que leolo corta um pedaço de fígado e coloca dentro das calças para se masturbar vendo mulheres nuas numa revista é uma das grandes cenas do filme. Que imaginação!!

17 - Esqueci que o congo belga tornou-se Zaire em 1960 (Leolo falando de seus esquecimentos por causa do aumento do prazer).

18 - Vai ver o porco tinha pedra nos rins. (o crucifixo cai no chão) - o irmao de Leolo havia encontrado um pêlo no fígado que estava comendo.

19 - A cena em que Fernand apanha de seu inimigo novamente é hilariante. Ele chora como um bebê incapaz de reagir e usar sua musculatura.

20 - A cena da gata colocada na mesa enquanto Leolo e seus colegas provocam um deles para que este a estupre é uma das cenas mais inusitadas do filme.

21 - Após o surto que teve por não ter visto mais seu grande amor, Leolo é colocado dentro de uma banheira cheia de gelo e seus últimos escritos são lidos por um homem que tem guardados seus manuscritos originais e o livro L' avalée des avalés que Leolo tanto lia.

Sinopse: Leo, ou Leolo como prefere ser chamado, é um garoto solitário e sonhador, apaixonado pela Itália. Ele também admira muito seu irmão mais velho, um fisiculturista tão grande quanto frágil, e sua sensual vizinha, com quem sonha situações um tanto ousadas para a sua pouca idade.

Ficha Técnica: Direção: Jean-Claude Lauzón - Roteiro: Jean-Claude Lauzón - Fotografia: Guy Dufaux - Montagem: Michel Arcand - Produção: Lyse Lafontaine - Elenco: Maxime Collin, Ginette Reno, Julien Guiomar, Pierre Borgau - Cor, 35mm, 105 min - Canadá, 1992.
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