quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A Doce Vida (La Dolce Vita,Itália,1960,167 mins)
Minha nota: [10,0] -
Por Wendell Borges - 15/10/2008

Comentários: A Doce Vida é para mim a obra máxima de Fellini (1920-1993), é um daqueles filmes clássicos que não envelhecem, um impressionante panorama da sociedade decadente moderna romana e porque não dizer, reflete muitas das sociedades capitalistas atuais. O personagem Marcello Rubini (Marcello Mastroianni - 1924- 1996), um jornalista que busca a liberdade no amor, paquerando as estrelas e belíssimas mulheres com quem passeia pela alta sociedade, é o protagonista central da trama. Rubini tem crises de consciência em meio às orgias que participa indo de uma festa a outra.

A belíssima atriz sueca Anita Ekberg (1931), que interpreta uma famosa atriz americana chamada Sylvia, protagoniza uma das cenas clássicas do cinema mundial, toma um banho vestida na Fontana di Trevi. São muitas as sequências magníficas construídas ao longo da trama, os destaques vão desde a cena já citada, até uma briga entre Marcello e sua namorada depressiva Emma (Yvonne Furneaux), ambos com concepções diferentes de amor.

Abaixo destaco outros grandes momentos do filme e transcrevo um diálogo primoroso entre Marcello e seu amigo Steiner (Alain Cuny). A trilha sonora de Nino Rota (1911-1979) e a fotografia de Otello Martelli (1902-2000) são outros destaques à parte. Obra-prima indiscutível!!

Obs: Uma sinopse bastante detalhada e que contém os momentos principais do filme pode ser conferida no site 65 anos de cinema.

Obs 2: O filme criou o termo "paparazzi", que acabou sendo incluído no vocabulário mundial. O personagem Paparazzo é interpretado pelo ator Walter Santesso. Ele nasceu em 1931 em Pádua na Itália, seu último filme foi em 1969.

Anotações para quem já viu o filme (Wendell - Notes)

1 - No começo vemos dois helicopteros sobrevoando algumas ruínas. Um deles carrega uma estátua de Jesus.

2 - Não creio na salvação fechando-se em casa como eu. Sou sério, não sou amador, mas não chego a ser profissional. A vida miserável é melhor que creia, uma existência protegida por uma sociedade organizada. Com tudo previsto, tudo perfeito. Só não posso ser seu amigo, não tenho como aconselhá-lo (..) A paz me amedronta. Temo a paz acima de tudo. Parece apenas uma aparência que oculta o inferno. Penso o que verão amanhã, meus filhos. Dizem que o mundo será maravilhoso. Mas como, se basta um telefonema anunciando o fim de tudo. Deveríamos nos libertar de paixões e sentimentos na harmonia da obra de arte realizada. Naquela ordem encantada. Conseguiríamos nos amar tanto. E vivermos soltos além do tempo. Soltos! Soltos! (Estas falas são de Steiner (Alain Cuny), amigo de Marcello Rubini.

Sinopse: Em Roma, um jornalista de origem humilde enfrenta uma crise de consciência por estar sempre atrás de fofocas da alta sociedade, usando-as como fonte para seus artigos. Entre seu trabalho supeficial e seus problemas pessoais (como a tentativa de suicídio da namorada), é mostrada uma sociedade decadendente e hedonista.

Prêmios: Academia de Hollywood - Oscar de Melhor Figurino
Festival de Cannes - Palma de Ouro (Federico Fellini)
Sindicato dos Jornalistas Italianos - Prêmio de Melhor Ator (Marcello Mastroianni)
Sindicato dos Jornalistas Italianos - Prêmio de Melhor Estória Original
Sindicato dos Jornalistas Italianos - Prêmio de Melhor Design de Produção

Indicações: Academia de Hollywood - Indicado aos Oscars de Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Direção de Arte
Academia Britânica - Indicado ao Prêmio de Melhor Filme

Elenco: Marcello Mastroianni (Marcello Rubini) - Anita Ekberg (Sylvia Rank) - Anouk Aimée (Maddalena) - Yvonne Furneaux (Emma) - Magali Noël (Fanny) - Alain Cuny (Steiner) - Annibale Ninchi (Pai de Marcello) - Walter Santesso (Paparazzo) - Valeria Ciangottini (Paola) - Riccardo Garrone (Riccardo) - Ida Galli (Debutante do Ano) - Audrey McDonald (Sonia) - Alain Dijon (Frankie Stout) - Lex Barker (Robert).

Ficha Técnica: Título Original: La Dolce Vita - Gênero: Drama - Tempo de Duração: 167 minutos - Ano de Lançamento (Itália): 1960 - Estúdio: Riama Film / Société Nationale Pathé Cinéma / Pathé Consortium Cinéma / Gray-Film - Distribuição: Astor Pictures Corporation - Direção: Federico Fellini - Roteiro: Federico Fellini, Ennio Flaiano, Tullio Pinelli e Brunello Rondi - Produção: Giuseppe Amato e Angelo Rizzoli - Música: Nino Rota - Fotografia: Otello Martelli - Desenho de Produção: Piero Gherardi - Figurino: Piero Gherardi - Edição: Leo Cattozzo .
_________________________________________________________________________

3 comentários:

  1. Belíssimo filme!
    Foi ele que me fez querer conhecer mais a fundo o universo de Felini.

    Beijocas

    ResponderExcluir
  2. Nossa, sou culpado dessa vez. Já tive várias oprtunidades de assistir mas, em todas, estava cansado, com sono e desgastado. E, convenhamos, para encarar uma obra de arte de Fellini, tem que se estar bom de espírito, para apreciar o que vier.

    Ciao!

    ResponderExcluir
  3. Tadeu N/A10:24 AM

    Julgo-o melhor filme de todos os tempos, por ser o que melhor explora todas as possibilidades cinematográficas.

    ResponderExcluir