quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Grande Sertão: Veredas (Brasil,1965,93 mins)
Minha nota: [8,0] -
Por Wendell Borges - 08/10/2008

"Sertão, o senhor sabe, é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!"

Comentário: Os irmãos gêmeos Geraldo (1925) e Renato Santos Pereira (1925), conhecidos como "os irmãos Lumiere" de Minas Gerais realizaram em 1965, com aprovação de Guimarães Rosa, autor do Romance homônimo no qual o filme foi baseado, esta primeira adaptação da obra, antecipando-se exatos 20 anos da adaptação para a TV através da minissérie homônima de Walter Avancini realizada em 1985 pela Rede Globo.

A atriz Sonia Clara que vive a personagem Diadorim nasceu em 1949 e tinha apenas 16 anos na época das filmagens. O ator Mauricio do Valle (1928-1994) que interpreta o jagunço filósofo Riobaldo faleceu em 1994. O filme foi realizado com uma competente equipe técnica e é bem filmado, apesar da precariedade de recursos, som precários e a fotografia envelhecida, as dificuldades são de certa forma superadas devido às boas atuações de Mauricio do Valle, Sonia Clara e do restante do elenco. A obra literária na qual o filme foi baseado foi escrita durante dois anos e publicada em 1956 e é considerada uma das grandes obras literárias brasileiras, tendo sido publicada em vários países.

O filme logicamente não tem a mesma profundida psicológica que a obra literária consegue ter, devido à dificuldade em adaptar um romance de mais de 600 páginas em cerca de uma hora e meia, muitos detalhes da obra são cortados para que o filme consiga ter uma fluência e nesse quesito, a obra cinematográfica tem seus méritos. O filme não aborrece, flui bem na tela, com cenas de ação muito bem realizadas e sem deixar de buscar um pouco da poesia e da profundidade psicológica que a obra literária possui.

Anotações para quem já viu o filme (Wendell - Notes)

1 - Seu Jota Ramiro, entre, se achegue com Deus? (primeira fala do filme)

2 - Riobaldo mata Zé Bebelo e um Jagunço quando se declara novo chefe do bando. Ele dispara rapidamente não dando nenhuma chance nem ao jagunço que se manifesta nem a Zé Bebelo. Riobaldo se revolta ao ver Bebelo espancando o cavalo dele. "Chefe é, Chefe será" - São as últimas palavras de Bebelo, falando para Riobaldo.

Vamos caçar o Judas, nem que eu tenha que virar pelo avesso esse sertão! (Riobaldo atiçando o bando para a caça ao jagunço traidor)

3 - Enterrem a moça separada dos outros, debaixo de um buriti, aonde ninguém ache. (Riobaldo falando como quer que Diadorim seja enterrada)

4 - Diadorim havia lutado com Hermogenes, numa luta com faca. Os dois morrem na luta.

5 - ùltima cena, um Plano de Conjunto, mostrando o terreno onde se deu a luta final. A cruz. Riobaldo desaparecendo ao longe, saindo do enquadramento.


Biografia de JOÃO GUIMARÃES ROSA (1908-1967)
FONTE: EDUCATERRA


VIDA: João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, pequena cidade do interior mineiro, próximo a uma região de fazendas de gado. Seu pai era comerciante na região. O futuro escritor fez o curso primário em sua cidade natal e o secundário em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo, onde revelou notável aptidão para o estudo de línguas. Ingressou na Faculdade de Medicina, formando-se em 1930. Foi colega de personalidades importantes, entre as quais Juscelino Kubitschek, futuro presidente da República,. Freqüentou ali os círculos literários e publicou alguns contos inexpressivos em revistas do Rio de Janeiro. Em 1930, retornou ao interior mineiro para exercer a profissão em Itaguara, município de Itaúna. Único médico da região, viajava muito a cavalo para atender aos pacientes que moravam em locais ermos. Aproveitou esta época para recolher histórias e anotar, em inúmeras cadernetas, o léxico arcaico da região. Em 1932, voltou a Belo Horizonte para atuar como médico voluntário da Força Pública durante a Revolução Constitucionalista. Posteriormente, entrou, por concurso, no quadro da Força Pública. Contudo, por sugestão de um amigo, impressionado com seu extraordinário domínio de línguas, fez concurso para o Itamarati e foi aprovado. Tornou-se diplomata e serviu em vários países, inclusive na Alemanha nazista, onde ficou preso por alguns dias, após o rompimento de relações entre o Brasil e o Terceiro Reich.

Apesar da dedicação à carreira diplomática, a paixão pela literatura continuou sendo elemento essencial na vida de Guimarães Rosa. Em 1936, venceu um concurso de poemas com a obra Magma, que se recusou a publicar. Em 1937 escreveu os contos de Sagarana, obtendo o segundo lugar em um concurso nacional de contos. Mas só publicou o livro em 1946, bastante modificado e com dois contos a menos. Neste mesmo ano tornou-se chefe-de-gabinete de João Neves da Fontoura (o “Tribuno da Revolução de 30”), mescla de diplomata, político, intelectual e caudilho, com quem manteve profunda e duradoura amizade. Em 1956, vieram à luz duas obras básicas, as novelas de Corpo de baile e o romance Grande sertão: veredas. Em pouco tempo, sua fama correu mundo: obras suas foram traduzidas de imediato para várias línguas. Foi aclamado como um dos grandes ficcionistas do século XX. O sucesso não fez com que ele esquecesse o sertão mineiro: continuamente retornava à terra natal, em longas viagens a cavalo, revendo a beleza rústica da região. Em 1962, lançou um novo volume de contos, Primeiras estórias. Em 1967, Tutaméia, com o subtítulo de Terceiras estórias. Em novembro de 1967, três dias após sua posse na Academia Brasileira de Letras, faleceu no Rio de Janeiro, vítima de enfarto. “As pessoas não morrem, ficam encantadas” – disse ele no discurso de posse na Academia, profetizando o seu próprio futuro.

Elenco: João Barros, Zózimo Bulbul, Sônia Clara, Paulo Copacabana, Ivan De Souza, Maurício do Valle, Milton Gonçalves, Glória Goulart, David José, Generino Luiz, Nilda Maria, Gilberto Marques, Graça Mello, Olegário Mundin, Luigi Picchi.

Ficha Técnica: Grande Sertão: Veredas, Brasil, 1965 - Diretor(es): Geraldo Santos Pereira, Renato Santos Pereira - Roteirista(s): Roberto Farias, João Guimarães Rosa¹ - Duração: 92 min - Tipo: Longa-metragem / P&B - Distribuidora(s): Fantasy Music - Produtora(s): Companhia Cinematográfica Vera Cruz, Vila Rica Produções Cinematográficas.
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