quinta-feira, 5 de julho de 2012


Ladrões de Bicicleta (Ladri di biciclette,Itália,1948,85 mins)
Minha cotação:
Por Wendell Borges

Visto dia: 02/10/2008
Revisto dia - 05/10/2012 [No CCBNB durante o curso de Apreciação de Arte: O Neorrealimo Cinematográfico ministrado pelo Carlinhos Perdigão]



Comentário (não leia caso não tenha visto o filme ainda): Clássico do Neo-realismo italiano, este sim um filme que emociona graças ao bom desempenho dos dois protagonistas principais, do roteiro brilhante de Cesare Zavattini, e do próprio De Sica inspirados no romance de Luigi Bartolini e da forma poética como são desenvolvidas as imagens do filme, a fotografia de Carlo Montuori é belíssima, assim como o trabalho de restauração do filme que pode ser acompanhado nos Extras do DVD.

A trama é tão bem conduzida que não tem como não sentir pena do personagem Antonio Ricci e de seu filho Bruno Ricci. O filme mostra a dura realidade italiana após a segunda guerra mundial, o país passa por uma crise econômica e há muita gente desempregada.

Antonio após esperar bastante consegue uma oportunidade e para não perder o emprego diz possuir uma bicicleta, mesmo sabendo que esta estava empenhada numa loja de penhores. Maria (Lianella Carell/1927), sua mulher, decide empenhar os lençóis da cama e retira, na mesma loja de penhores, a bicicleta que lá se encontrava.

Antonio Ricci consegue o emprego e começa a trabalhar, numa manhã de sábado enquanto pregava um cartaz de Rita Hayworth (Gilda) Antonio tem a sua bicicleta roubada por um vagabundo que ali passava, interpretado por Vittorio Antonucci. Desesperado, ele tenta encontrá-la com a ajuda do filho Bruno. Ele busca apoio da policia e do amigo, o ator chamado Baiocco interpretado por Gino Saltamerenda.

Eles vão a uma feira onde várias bicicletas são vendidas, mas não conseguem achar a FIDES tipo ligeiro 1935, numeração do modelo da bicicleta roubada. Após andar bastante com seu filho e de recorrer até à vidente que havia ironizado sua mulher Maria de ter ido visitá-la, Antonio tenta roubar uma bicicleta e é apreendido por vários homens. O dono da bicicleta roubada decide não prestar queixa e Antonio sai chorando com seu filho, todos bastante humilhados.

Um clássico do movimento italiano, dirigido por Vittorio De Sica, que ficou conhecido como "Neo-realismo" e que não pode faltar no currículo de nenhum cinéfilo.

Obs: Enzo Staiola, o jovem ator de 7 anos que foi escolhido para participar de Ladrões de bicicleta, ele veio a transformar-se futuramente em professor de matemática e continuou fazendo filmes após Ladrões de Bicicleta, tendo seu último trabalho registrado em 1977 - 15/11/1939.

Obs 2: A cena em que Enzo é esbofeteado pelo pai é uma das mais brilhantes do filme. Segundo algumas pesquisas que fiz colocaram cigarros da produção no bolso de Enzo e começaram a acusá-lo de roubo. Ofendido, o menino começou a chorar de verdade. De Sica então filmou o choro real do menino e adaptou brilhantemente ao roteiro do filme. Mas convenhamos, que maldade com o garoto não? Tudo desculpado em nome da arte.

Obs 3: Seria a bicicleta do filme uma metáfora das coisas que determinam nossa vida e que, num certo dia, por obra do acaso, podemos perdê-las e deste modo, nos perdermos junto com elas?

Anotações para quem já viu o filme (Wendell - Notes)

1 - No começo, Antonio consegue emprego, mas precisa de uma bicicleta. A mulher vende vários lençois e eles compram um bicicleta no valor de 6.500. Maria vai até uma vidente agradecer, pois ela havia dito que Maria arranjaria emprego. Enquanto pregava um poster de Rita Haywort na parede, um ladrão (Vittorio Antonucci) rouba a bicicleta de Antonio e sai em disparada. Ele tenta pegar o ladrão mas não consegue. Antonio vai falar com Baiocco pedindo ajuda para encontrar a bicicleta.

2 -A bicicleta roubada é uma chassi FIDES tipo ligeiro 1935.

3 - Bruno preparava-se para mijar quando o pai chega e lhe dá um susto dizendo: Bruno! O que está fazendo! o pobre garoto não tem tempo nem de mijar na busca pela bicicleta roubada.

4 - Rua Campanille nº 15, parece ser o endereço onde mora o ladrão que roubou a bicicleta de Antonio. Ele persegue o velho que viu conversando com o ladrão até na igreja.

5 - Antonio acerta um tapa na cara do filho Bruno que pedia para esperar a sopra na igreja. Ele sai chorando e dizendo que vai contar tudo para a mãe dele.

6 - A velha vidente diz a um cliente que este é muito feio e que esqueça a mulher por quem está apaixonado. Antonio decide ir até a vidente.

7 - O filme termina com a triste cena de Antonio e seu filho chorando após Antonio ser capturado quando tentava escapar com a bicicleta roubada.


O ator Lamberto Maggiorani faleceu em 1983. Na época do filme ainda era um ator amador. (1909-1983)

Na foto ao lado, ele e ator Enzo Staiola de apenas 7 anos.










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Vittorio De Sica
Idade: 72 anos
Nascimento: 07/07/1902
Falecimento: 13/11/1974
País de nascimento: Itália
Local de nascimento: Sora, Latium




Um pouco sobre o Neo-realismo
(Fontes - Wikipedia e Cinema: Guia ilustrado ZAHAR de Ronald Bergan):


Obsessão de Luchino Visconti (1906-1976) é dito o primeiro filme neo-realista, rótulo aplicado, após a Liberação, a obras sobre a classe operária e filmadas em locação , com atores ou personagens reais.
O Neo-realismo italiano foi um movimento cultural surgido na Itália ao final da segunda guerra mundial. As suas maiores expressões ocorreram no cinema e literatura. Os maiores expoentes do cinema neo-realista italiano foram Roberto Rosselini, Vittorio DeSica, Luchino Visconti e Giuseppe Amato.
No cinema, o neo-realismo italiano se caracterizou pelo uso de elementos da realidade numa peça de ficção, aproximando-se até certo ponto, em algumas cenas, das características do filme documentário. Ao contrário do cinema tradicional de ficção, o neo-realismo buscou representar a realidade social e econômica de uma época mostrando-a muitas vezes sem rodeios.
O filme Ladri di Biciclette (1948) contém os principais elementos do filme Neo-Realista: a temática dos problemas sociais, a criança, os atores iniciantes ou desconhecidos, a ambientação in loco, a ausência de apelos técnicos ou dramatúrgicos e ao mesmo tempo um intenso conflito na trama (também escrita por Zavattini). Pela história do homem recém-empregado que tem seu instrumento de trabalho — a bicicleta — roubado, e assim ameaçado de perder o emprego, DeSica emoldura um quadro da classe trabalhadora urbana de então, assombrada pelo desemprego.

Sinopse:
A história se passa logo após a Segunda Grande Guerra, com a Itália destruída e o povo passando necessidade. Ricci (Lamberto Maggiorani) consegue um emprego após muita espera. Só que esse emprego, de colador cartazes na rua, lhe pedia como obrigação uma bicicleta. Ricci e sua mulher Maria (Lianella Carell) conseguem um dinheiro para uma, possibilitando que ele realize o seu trabalho. Há também o menino Bruno (Enzo Staiola), filho do casal. Fascinado por bicicletas, o menino cai de cabeça com o pai na busca pela bicicleta que lhes foi roubada, quando Ricci trabalhava apenas em seu primeiro dia.

Ficha Técnica: Título Original: Ladri di Biciclette - Gênero: Drama - Tempo de Duração: 90 minutos - Ano de Lançamento (Itália): 1948 - Estúdio: Produzioni De Sica - Distribuição: Ente Nazionale Industrie Cinematografiche - Direção: Vittorio De Sica - Roteiro: Cesare Zavattini, baseado em estória de Oreste Biancoli, Suso Cecchi d'Amico, Vittorio De Sica, Adolfo Franci, Gerardo Guerrieri e Cesare Zavattini e em romance de Luigi Bartolini - Produção: Giuseppe Amato e Vittorio De Sica - Música: Alessandro Cicognini - Fotografia: Carlo Montuori - Desenho de Produção: Antonio Traverso.
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4 comentários:

  1. Esse eu gostaria de ver porém não encontrei nas locadoras por aqui =/

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  2. Saudações. Ontem, 07.02.10, tive o previlégio de assistir pela 2ª vez esta obra prima no canal TCM. Impecável o trabalho dos 2 atores, pai e filho. O desespero da perda do meio de sobrevivência leva o personagem a atitudes extremas, em nada condizentes com sua personalidade e seu modo de se conduzir. Em nós aflora o sentimento incômodo da perda, em qualquer escala. Várias vezes me emocionei. Um belíssimo trabalho, onde nem mesmo a ausência de cor faz falta. Imperdível. Grato pela oportunidade.

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  3. Saudações. Ontem, 07.02.2010, tive o previlégio de assistir pela 2ª vez no canal TCM esta obra prima do cinema italiano. O trabalho dos atores, pai e filho está impecável. O desespero pela perda do meio de sobrevivência, no caso uma bicicleta, imprescindívesl para o trabalho a ser executado, leva um homem ao desespero a ponto de agir de um modo nada condizente com sua personalidade e modo de se conduzir. Em nós expectadores, fica a marca da tristeza pela perda em todos os seus aspectos e é impossível não emocionar-se. Um trabalho tão bom que a ausência de côr não faz a menor diferença.
    Grato pela oportunidade.

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  4. Anônimo10:36 AM

    Ao meu ver um bom filme, levando em conta o ano da produção, mas imagino que se o final fosse outro, tipo, logo em seguida, quando o pai é liberado para ir embora e o filho visse uma peça desmontada da bicicleta, aquela mesma que sofreu ranhura, quando estava penhorada e assim premiaria a perspicácia do menino, o desbaratamento da quadrilha, as pessoas que assistiram o filme e aí sim podia acabar.A cena podia ser em frente ao mercado, onde eles procuraram anteriormente e não queriam fornecer o numero do registro. E todos os ladrões eram daquela vila onde ele foi expulso.

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