terça-feira, 18 de novembro de 2008

Noites de Circo (Gycklarnas afton,Suécia,1953,93 mins)
Minha nota: [9,5] -
Por Wendell Borges - 18/11/2008

Comentário (não leia caso não tenha visto o filme ainda): O Centro Cultural Banco do Nordeste aqui em Juazeiro do Norte está exibindo este mês de novembro a "Mostra 3 Décadas de Ingmar Bergman". Já foi exibido este mês Monika e o Desejo (1953), dia 12/11, e hoje tive o prazer de conferir mais duas excelentes obras deste maestro da sétima arte. Os filmes exibidos hoje, dia 18 de novembro, foram Noites de Circo (1953) e Sonhos de Mulheres (1955). A Mostra encerrará dia 25/11 com o filme Sorrisos de uma Noite de Amor (1955).

Na sessão das 16:10 foi exibido o filme Noites de Circo, um dos grandes filmes de Bergman realizados antes de sua consagração no Festival de Cannes em 1955 com Sorrisos de Uma noite de Amor. Este filme é um marco na carreira de Bergman, pois foi aqui que começou sua parceria com grande fotógrafo Sven Nykvist (1922-2006), que realizaria ainda diversos outros filmes clássicos de Bergman como A Fonte da Donzela (1960), Através de um espelho (1961), Persona (1966) e Fanny Alexander (1982), só para citar alguns. A fotografia foi toda feita em tons expressionistas fazendo um belíssimo jogo de luz e sombras.

A trama gira em torno da relação conturbada entre o dono do Circo Alberti, Albert Johansson, interpretado por Ake Gronberg (1914-1969), e sua amante chamada Anne, vivida por Harriet Andersson. Passando por dificuldades financeiras e desaminado com a vida circense, Albert tenta reconciliação com a ex-mulher,Agda, interpretada por Annika Tretow (1919-1979). O filme tem grandes momentos que vão do bom humor ao suspense, com uma cena cheia de tensão já próximo ao final. Há um interessante jogo de cena, quando o ator chamado Frans interpretado por Hasse Ekman(1915-2004), após ter tido uma relação com Anne, zomba dela durante a sessão circense e é desafiado por Albert para um duelo.

Vale destacar a crítica que o filme sofreu na época pela grande Pauline Kael, uma das mais famosas e prestigiadas críticas de cinema dos Estados Unidos, ela repudiou o filme taxando-o de masoquista, pela maneira com que Bergman trata os personagens, logo no início do filme vemos o palhaço Frost, interpretado por Anders Ek (1916-1973) , sendo humilhado por soldados que se banhavam no rio com sua esposa Alma, papel da atriz Gudrun Brost (1910-1993).

O filme só peca um pouco na montagem, pois não consegue manter o mesmo ritmo durante todo o tempo, o que causa um certo desinteresse em alguns momentos, mas analisando a obra como um todo, é mais um excelente filme deste gênio chamado Ingmar Bergman.


Anotação para quem já viu o filme
(Wendell - Notes)

1 - A cena de tensão a que me refiro acima é quando Alberti tenta o suicídio apontando a arma para sua cabeça, após descobrir que Anne o traira com o ator Franz.


Sinopse:
Enquanto a caravana do decadente Alberti Circus viaja pela Suécia, um dos artistas conta a Albert, o dono do circo, uma história triste envolvendo um palhaço que ele conheceu, chamado Frost. Sete anos antes, ele flagrou a esposa nadando nua num lago com outro homem. Albert só irá entender melhor o sentido daquela história quando a caravana chegar ao seu destino. Ele viverá uma experiência traumática envolvendo a esposa e sua amante.

Ficha Técnica: Diretor(es): Ingmar Bergman - Roteirista(s): Ingmar Bergman - Elenco: Åke Grönberg, Harriet Andersson, Hasse Ekman, Anders Ek, Gudrun Brost, Annika Tretow, Erik Strandmark, Gunnar Björnstrand, Curt Löwgren, Kiki, Lissi Alandh, Julie Bernby, John W. Björling, Naemi Briese, Michael Fant.
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Um comentário:

  1. Concordo com o comentário acerca dos tropeços na montagem.De todos os filmes de Bergman q já vi,esse é o único q considero apenas bom:tem bons achados,mas é uma obra menor do mestre.
    Vlw!

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