sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O Corte (Le Couperet,França,2005,122 mins)
Minha nota: [8,5] -
Por Wendell Borges - 28/11/2008

Comentário (não leia caso não tenha visto o filme ainda): Comédia de humor negro do diretor de "Z (1969)", "Desaparecido,Um grande mistério (1982)" e "Amén (2002), o grego Constantin Costa-Gravas (1939).

O ator José Garcia está excelente no papel do desempregado desesperado chamado Bruno Davert. O filme faz pensar, tem momentos engraçados, alguns cheios de tensão e provoca emoções diversas no espectador. O roteiro foi escrito pelo próprio Costa-Gravas juntamente com Jean-Claude Grumberg (1939) inspirados pelo romance The Ax de Donald E. Westlake (1933) (também conhecido como Richard Stark, roteirizou o filme Os Imorais dirigido por Stephen Frears em 1992).

O desenrolar das ações de "O Corte" nos faz pensar sobre a Violência, a competição desenfreada, o capitalismo, a tecnologia e sobre nosso futuro como profissionais, seja qual for o ramo. Vamos acompanhando a narrativa de uma trama onde um engenheiro químico chamado Bruno Davert (José Garcia) após quinze anos de dedicação a uma empresa, é demitido, e após dois anos sem conseguir novo emprego, vê seu casamento com a mulher, Marlene Davert (Karin Viard), e os dois filhos, Maxime (Geordy Monfils) e Betty (Christa Theret), começar a entrar em crise.

Tomado pelo desespero Davert decide matar todos os seus principais concorrentes à vaga de uma empresa chamada Arcadia. O nome da empresa é uma referência à cidade grega imaginária, a Arcádia, onde reinava a felicidade, a paz e a simplicidade, nome que foi muito utilizado por poetas e pintores para descrever paisagens idílicas e utópicas.

A Arcádia é o sonho que Davert busca novamente, pois fora expulso de sua antiga Arcádia e para ela quer retornar. O mais irônico é que ele consegue escapar ileso, tendo poupado a vida de um dos concorrentes que ele estava prestes a matar, o personagem chamado Gerard Hutchinson, vivido por Ulrich Tukur. Gerard comete suicídio e os investigadores acabam dando fim às investigações por suspeitarem de que ele era o autor dos assassinatos.

Apesar de no início o filme aparentar seguir por uma linha, aos poucos vamos percebendo o tom satírico e o humor negro e a trama toma outros contornos, provocando assim outras reflexões. Se a mensagem do filme é antiética, precisamos então repensar a ética capitalista, a mensagem do filme é logicamente a de um alerta para o futuro e só mesmo pessoas com problemas mentais sérios iriam utilizar o filme como desculpa para agir da mesma forma.

Curiosidade: Além da Arcádia usada na poesia, existe uma região real da Grécia chamada Arcádia, localizada na península do peloponeso. E além disso, o nome também foi usado para batizar uma Sociedade literária típica da última fase do classicismo, cujos membros adotavam nomes poéticos simbólicos, a primeira das quais se fundou em 1690 em Roma, tendo havido muitas outras no século XVIII, como, por exemplo, a Arcádia Lusitana e a Nova Arcádia. [Fontes utilizadas nesta curiosidade: Dicionário Aurélio e Wikipédia]


Anotações para quem já viu o filme (Wendell- Notes)

Obs: A imagem ao lado mostra a Grécia com a região da Arcádia em destaque na península do Peloponeso.

1 - Sem salário por um mês você entra em pânico imagine sem salário nenhum.
2 - Besoin de liquide je liquide tout (preciso de dinheiro vendo tudo)
3 - Na antiga China, para poupar alimento abandonavam bebês nas montanhas. Os esquimós deixam os idosos para morrer nos icebergs. Mas nós nos livramos das pessoas quando estão no auge da produção.É isso que acontece. É auto-destruição. [ o garçom conversando com Bruno Davert]

4 - Aparece um poster do filme Ong-Bak quando Bruno entra no cinema para falar com sua esposa.

5 - Uma Luger de um oficial da SS. Com uma característica, balas velhas que foram feitas para economizar cobre [ a arma que Davert usava para matar seus concorrentes]

6 - Precisa de emprego?
- Não,marido.
- Já está na hora. [ Davert conversa com uma mulher que aguardava ele sair do telefone público]

7 - Kendall-Cartons, o local onde Davert foi entrevistado.

8 - No final, após executa todos os seus rivais, ele recebe uma última visita dos investigadores e consegue se safar, o suicídio de Hutchinson fez a polícia pensar que ele era o autor dos atentados.

Sinopse: Bruno Davert (José Garcia) é um executivo francês, que perde seu emprego. Dois anos depois ele continua desempregado, o que o leva ao desespero. Decidido a recuperar o antigo cargo, ele decide matar seu atual ocupante e todos os candidatos da empresa em que trabalhava com potencial para ocupá-lo.

Elenco: José Garcia (Bruno Davert) - Karin Viard (Marlène Davert) - Geordy Monfils (Maxime Davert) - Christa Theret (Betty Davert) - Ulrich Tukur (Gerard Hutchinson) - Olivier Gourmet (Raymond Mâchefer) - Yvon Back (Etienne Barnet) - Thierry Hancisse (Inspetor Kesler) - Olga Grumberg (Iris Thompson) - Dieudonné Kabongo (Quinlan Longus) - Serge Larivière (Inspetor de polícia)

Ficha Técnica: Título Original: Le Couperet - Gênero: Drama - Tempo de Duração: 122 minutos - Ano de Lançamento (França / Bélgica / Espanha): 2005 - Estúdio: Studio Canal / Canal+ / Eurimages / Wallimage / Les Films du Fleuve / RTBF / K.G. Productions / France 2 Cinéma / SCOPE Invest / Wanda Visión S.A. - Distribuição: Mars Distribution / Pandora Filmes - Direção: Costa-Gavras - Roteiro: Costa-Gavras e Jean-Claude Grumberg, baseado em livro de Donald E. Westlake - Produção: Michèle Ray-Gavras - Música: Armand Amar - Fotografia: Patrick Blossier - Desenho de Produção: Laurent Deroo - Figurino: Laurence Maréchal - Edição: Yannick Kergoat - Efeitos Especiais: L'Etude et la Supervision des Trucages.
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Um comentário:

  1. Esse filme é muito bom, uma sátira realmente recorrente no mundo em que a gente vive... O único que eu vi do Costa Gravas, infelizmente...

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