sábado, 1 de novembro de 2008

O Velho e o novo/A Linha Geral (Staroye i novoye,Russia(União Soviética), 1929,96 mins)

Minha nota:


Por Wendell Borges - 01/11/2008

Comentário: Filme mudo escrito e dirigido por Grigori Aleksandrov (1903-1983) e Sergei M. Eisenstein (1898-1948) em 1929, com montagem intelectual (estilo desenvolvido pelo próprio Eisentein) e que é considerada uma obra-prima do cinema socialista.

A personagem Marta (Marfa Lapkina-1898-1936) é mostrada como uma lutadora que grita em um palanque pela união dos trabalhadores rurais, suplicando para que estes formem um mutirão para ajudarem-se mutuamente. Há cenas curiosas como a dos homens serrando madeira enquanto a imagem de uma mulher em close é mostrada. Acredito que a idéia de Eisenstein para estas imagens sequenciais foi mostrar ideologicamente a força fálica excitada pela presença de uma bela mulher. Além destas imagens há diversas outras montagens ideológicas que remetem quase todas elas a criticas aos ideais burgueses e capitalistas, e logicamente, não poderia deixar de ser diferente, já que se trata de um filme de temática socialista.


Outro momento do filme que merece destaque é quando um grupo de camponeses observam pela primeira vez, o trabalho de uma máquina desnatadeira. Eisenstein nos coloca a todo instante as contradições existentes em seu tempo, o velho sistema agrário contra as novas máquinas possantes capazes de realizar o trabalho de milhares de homens. As máquinas são compadas a Deus, são tidas pelos camponeses como "a salvação!". Outra cena interessante é quando é mostrado um casamento e os noivos na verdade são um touro e uma vaca. A vaca está vestida de noiva e aguarda o touro aproximar-se para copulação. Mas a cena é cortada, o sexo animal não é mostrado.

Devido às suas divergências com o líder comunista Josef Stalin (1878-1953), que já havia assumido o poder de forma ditatorial desde 1922, Eisenstein vendo que suas obras não poderiam ser realizadas conforme seus pensamentos fez uma viagem à Europa e América com o pretexto de estudar o cinema sonoro, mas na verdade buscava meios de expressar suas idéias escapando da pressão política exercida sobre ele em seu país. Apesar de ter sido procurado anos depois para realizar novos filmes a pedido de Stalin, Eisenstein jamais deixou de retratar e discutir com o governo seus ideais revolucionários.

Anotações para quem já viu o filme (Wendell - Notes)

1 - No final do filme vários tratores passam arando um campo e a mensagem de avante socialismo é mostrada em legenda. Os tratores em fila como se fossem pessoas marchando. Progresso e comunismo andando juntos!

Sinopse: Este foi o último filme cartelado de Sergei Eisenstein e Gregory Alexandrov O Velho e o Novo, também conhecido como A Linha Geral. Com o aparecimento da camponesa Marta, destacando-se na liderança sobre a massa, o filme dá uma reviravolta, embora o tema gire em torno da coletivização de uma aldeia de camponeses. Esta produção nos mostra Marta como a primeira heroína do cinema post-épico. Com fortes personagens, lindas paisagens bucólicas e uma montagem fantástica esta é mais uma obra-prima, um marco nos filmes socialistas produzidos na antiga URSS.

Sergei Eisenstein (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre)

Serguei Mikhailovitch Eisenstein (russo: Сергей Михайлович Эйзенштейн, transliteração Sergej Michajlovič Ejzenštejn) (23 de janeiro de 1898, Riga - 11 de fevereiro de 1948, Moscou) é considerado o mais importante cineasta soviético.

Relacionado ao movimento de arte de vanguarda russa, participou ativamente da Revolução de 1917 e da consolidação do cinema como meio de expressão artística.

Filho de um engenheiro descendente de judeus alemães e de uma russa, Eisenstein teve constantes atritos com o regime de Josef Stalin, devido à sua visão do Comunismo e à sua defesa da liberdade de expressão artística e da independência dos artistas em relação aos governantes, posição que era perseguida num país no qual a indústria cinematográfica sofria com a falta de recursos para se nacionalizar.

Criou uma nova técnica de montagem, chamada montagem intelectual ou dialéctica.

Com 26 anos fez “A greve”, mostrando que arte e política podiam andar juntas. Com 27, deu ao mundo “O Encouraçado Potemkin”, obra que é considerada, juntamente com "Cidadão Kane", de Orson Welles, das mais importantes na história do cinema.

Graças ao sucesso extraordinário do “O Encouraçado Potemkin”, foi chamado pela MGM e embarcou para os Estados Unidos. Só que seus projetos não decolavam, apesar de ter amigos poderosos como Chaplin e Flaherty. Eisenstein resolveu então afastar-se de Hollywood e fazer “Que Viva México”, uma obra ambiciosa sobre a história de um país e sua cultura. Infelizmente, as filmagens foram interrompidas por problemas financeiros.

Desolado, o cineasta voltou para seu país, mas nem a imprensa o perdoava por seu afastamento e pelo seu curto idílio capitalista. Quando sua carreira parecia perdida, entretanto, recebeu a ordem de filmar “Alexandre Nevski”, como uma peça de propaganda anti-germânica. E, assim como já fizera no “Potemkin”, Eisenstein construiu uma obra-prima que está acima da ideologia.

Com o prestígio recuperado, Eisenstein começou “Ivã, o Terrível”, que teria três partes. Mas então começou a II Guerra, e tudo se complicou. O cineasta morreu de ataque cardíaco em 1948.

----------------

Elenco: Marfa Lapkina, Vasili Buzenkov, Chukamaryev, Efimkin, Mikhail Gomorov, Hurtin, M. Ivanin, G. Matvei, Nejnikov, M. Palej, Maksim Shtraukh,

Ficha Técnica: Direção: Grigori Aleksandrov, Sergei Eisenstein, Ano de produção:1929 - País de produção : Rússia, Duração: 96 min. Distribuição: Continental Home Vídeo - Região: Multizonal - Áudio: Dolby Digital 2.0 e 5.1 (Trilha sonora) - Vídeo Tela Cheia - Cor Preto-e-branco.
________________________________________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário