segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Finis Hominis (Brasil,1970,79 mins)

Minha cotação
: * * *

Por Wendell Borges - 15/12/2008

Comentário: Este é o quarto filme que assisto com a direção e atuação de José Mojica Marins (1936), aqui ele interpreta Finis Hominis [O film do homem em latim], um sujeito que surgiu nu na praia de Santos e começa a agir como se fosse um Messias com poderes sobrehumanos, revelando as hipocrisias de uma sociedade onde tudo gira em torno do dinheiro, da cobiça e da mesquinharia dos humanos. O filme tem momentos estéticos interessantes e outros que compartilham com o estilo mambembe beirando a aberração. Destaque para o momento em que Finis surge pela primeira vez de corpo inteiro na casa de uma mulher que ele salvou do estupro. Nesta cena ele está vestido com uma roupa estranha e colorida, vestimentas típicas de marajás indianos, sugestão dada por um amigo indiano de Mojica que ajudou na produção do filme. Outros momentos relevantes da trama: a cena em que Mojica salva a mulher adúltera chamada Madalena, interpretada por Teresa Sodré; a cena em que Mojica joga dinheiro para um bando de falsos hippies desmacarando seus ideias de Paz, Amor e Liberdade e a sequência da personagem Soninha, interpretada pela musa de Mojica, a atriz Andreia Bryan, uma mulher promíscua e ninfomaníaca que trai o marido, Cavalcante (Lázaro), interpretado por Roque Rodrigues. O personagem Finis Hominis foi uma criação do roteirista Rubens Francisco Lucheti que havia criado o personagem para uma novela da TV Bandeirantes, " O Homem que Apareceu". O diretor Carlos Reichenbach faz uma ponta como o personagem Paulo, o médico de Cavalcanti.

Curiosidade: Teresa Sodré nasceu em São Paulo no ano de 1947.

SOBRE A NOVELA: (O Homem que Apareceu, Brasil, 1968) [FONTE: Epipoca] - " - Em 1968 José Mojica Marins tornara-se um sucesso com ''Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver'', sequência de ''À Meia-Noite Levarei Sua Alma'' - onde surgiu o personagem Zé do Caixão. A TV Bandeirantes então convidou o cineasta para escrever e dirigir a novela ''O Homem que Apareceu'', que jamais foi ao ar. Foram escritos apenas três capítulos, cujas histórias seriam concluídas a cada episódio e apenas com um personagem de ligação. O próprio Mojica interpretaria esse papel, o de um homem misterioso e assustador. Três anos depois este personagem foi usado em ''Finis Hominis''.

Anotações para quem já viu o filme (Wendell - Notes)

[Sequência Inicial]

Há uma incógnita sobre a criação da natureza. Um tentador mistério envolve a imensidão do universo. Problemas insondáveis pairam sobre a existência. A vida e a morte. E nesse turbilhão de vidas há uma incerteza: A criação da inteligência e a formação da matéria. Enfim, a existência do homem.Agora, tudo no infinito torna-se mais fácil. Das águas às matas, da Terra ao espaço, tudo o que existir tem um motivo. E o homem encontra sua motivação. Nada nasce, nada vive, nada morre sem razão de ser. Dependendo do desenvolvimento mental de cada um,a respostaprocurada poderá demorar um pouco mais, um pouco menos, ouvir no momento certo. Mas a realidade é uma só, para tudo e para todos. Se existe, há uma razão de existir. Assim, existe este filme.

1 - Dona Rita na cadeira de rodas abençoa o casal de namorados. [ Um homem nu a assusta e ela sai correndo da cadeira de rodas]
2 - Há uma cena esteticamente interessante quando Finis Hominis surge de corpo inteiro pela primeira vez na casa da mulher cuja filha ele salvou juntamente com ela de um bando de vilões estupradores. Ela se despede sem dizer uma palavra e ele sai da casa, atravessa a rua ao som do toque de flauta de Raindrops keep falling on my head
3 - Outra cena interessante, esta deveria soar dramática mas pelo exagero de sangue com que banham a menina que chorava deitada na maca a cena ficou cômica. E a atendente responde ao pai nervoso que reclamava pela demora no atendimento, se não pode esperar leve-a para uma clínica.
4 - Mas esta menina é uma proletária! responde um enfermeiro que recebia ordens de chefe do hospital para que fizessem tudo para salvar a menina.
5 - Paz! Amor! Liberdade! - Finis revela a hipocrisia do bando de falsos Hippies que gritavam pelo amor e liberdade.
6 - Enquanto Cavalcante fala com Paulo (Carlos Reichenbach), seu médico, a mulher dele, Soninha, faz sexo com Mário, o amante. Cavalcante é ressuscitador por Finis Hominis, deserda toda a família e doa sua fortuna para uma instituição de caridade.
7 - A cena final com Finis entrando em um sanatório acredito eu não tenha sido o final pensado pelo roteirista Rubens Luchetti e por Mojica. Eram os tempos ferrenhos da ditatura.

Sinopse [Fonte: Adorocinema]: Um homem completamente nu emerge do mar e caminha tranquilamente pelas ruas da cidade, causando espanto geral e interferindo de várias maneiras em episódios cotidianos, sempre em busca da justiça. Por acaso, evita o rapto de uma criança e a mãe da menina, em reconhecimento, leva-o para casa e lhe dá uma roupa, que ele mesmo escolhe dentre muitas - uma fantasia. Fantasiado, continua sua caminhada pelas ruas, chamando novamente sobre si a atenção de todos que o tomam como um novo Cristo. Assumindo o nome Finis Hominis ("O Fim do Homem" em latim), ele é tido pela população como um messias moderno, capaz de operar milagres. As "curas" e os "milagres" que realiza não passam de coincidência. Muitos julgam que é um enviado de Vênus ou de Marte. Um dia, ao passar por uma rua, vê pessoas desfeiteando uma prostituta e acode em sua defesa. De outra vez, salva um jovem atacado de catalepsia, de ser enterrado vivo. Os dois passam a ser seus maiores seguidores, ao lado de um bando de hippies. Por fim, o homem sobe ao cume de uma montanha para proferir um sermão. Em todos os lares as famílias estão reunidas em torno dos televisores para escutá-lo. O sermão é uma mensagem de paz, e a imagem do homem multiplica-se milhares de vezes através do vídeo.

Elenco: Rosângela Maldonado - José Mojica Marins - Roque Rodrigues (Lázaro) - Teresa Sodré (Madalena) - Andréa Bryan (Ninfômana) - Graveto - Big Boy - Carlos Reichenbach - Sílvio Francisco - Sabrina Marquesina - Margareth Delta - Paulo Moreira - Paulo Mander - Mário Lima (Amante) - Cláudia Tucci - Lurdes Vanucchi Ribas - Américo Camargo - Antoninho - Carli Clarestadi - Célia Soares - Lourdes Ribas - Talulah Marilyn - Ronald Bibe - Araken Saldanha (dublador da voz de José Mojica Marins)

Outras Curiosidades [Fonte: Adorocinema]

- Neste filme, Mojica abandona o personagem Zé do Caixão.
- Teve uma continuação: Quando os deuses adormecem, em 1972.
- Certificado de Censura 61.055, Brasília, 05.10.1971.Certificado de Filme Brasileiro válido até 01.07.1976.
- Letreiros iniciais indicam a "participação geral dos componentes da Magistral Promoções Artísticas Ltda." no elenco.
- Indicam, também, Índio como pseudônimo de José Lopes.
- Letreiros finais apresentam a seguinte mensagem: "Se existe: há uma razão de existir".

Ficha Técnica: Título Original: Finis Hominis - Gênero: Drama/Comédia - Duração: 79min. - Lançamento (Brasil): 1971Distribuição: Marte Filmes - Direção: José Mojica Marins - Argumento: Rubens Francisco Lucchetti - Roteiro: José Mojica Marins - Produção: Marciano Bley Bittencourt -Direção de Produção: Mário Lima - Co-produção: MultifilmesMúsica: Hermínio Gimenez - Sonografia: Júlio Perez Caballar - Fotografia: Giorgio Attili e Edward Freund - Assistente de Fotografia: Rosalvo Caçador - Assistente de Câmera: Virgílio Roveda e Nivaldo de Lima - Cenografia: GravetoCoreografia: Benedito Oliveira - Montagem: Roberto Leme Elenco.
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Um comentário:

  1. Eu sou um fã em potencial do Mojica, mas infelizmente só vi seus filmes enquanto Zé do Caixão. Esse aí é um que eu agora to curioso. Falando nele, no meu blog fizemos um calendário estilizado com imagens e informações de filmes brasileiros, e inclui o "à meia noite levarei sua alma", depois dá uma passada lá para ver...

    Abraços...

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