sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Intolerância (Intolerance: Love's Struggle throughout the ages, EUA, 1916,163 mins)
Minha cotação:
Por Wendell Borges - 19/12/2008

do berço que balança sem cessar” verso do poema de Walt Whitman (1819-1892).

Comentário: David Wark Griffith (1875-1948) é um daqueles diretores indispensáveis quando o assunto é o nascimento da "sintaxe" do cinema, mais especificamente o modo de construção narrativa e da técnica de montagem norte-americana que ajudaram a construir a história da sétima arte.

Neste Intolerância realizado em 1916 acompanhamos o desenrolar de quatro tramas que ocorrem paralelamente, as duas mais importantes são sobre a relação de amor entre dois jovens, um rapaz interpretado por Robert Harron (1893-1920) que deixa a vida de ladrão para casar com uma jovem, interpretada por Mae Marsh (1894-1968), cujo pai falecera, trama que ocorre na Califórnia da época em meio a greves, a luta contra o desemprego e as injustiças sociais; a segunda sobre a queda da Babilônia, em 539 a.C., tomada pelos persas no comando de Ciro; a terceira sobre O massacre de protestantes huguenotes e calvinistas em Paris, no ano de 1572, momento histórico conhecido como a Noite de São Bartolomeu, e a quarta trama, a vida e morte de Cristo, que tem menos destaque.

Criticado por racismo em seu filme anterior, O Nascimento de uma nação (1915), Griffith buscou neste épico uma maneira de reagir às ofensas e críticas recebidas, mas Intolerância não foi tão bem sucedio nas bilheterias e o diretor juntamente com Charles Chaplin, Douglas Fairbanks e Mary Pickford fundou a United Artists alguns anos depois, em 1919, como uma forma também de livrar-se do controle do estúdio sobre seus filmes.

A suposta mensagem pacifista de “Intolerância” seria na verdade uma justificativa para as guerras que os americanos ainda se envolvem e criam nos dias atuais?

Observando a última cena do filme, vemos soldados em um campo de batalha e a mensagem de que no dia em que as armas não se voltarem mais contra o amor, mas começarem a combater a intolerância, o mundo será bem melhor. O que acontece é que este amor que jamais surge de forma espontânea nos corações dos seres humanos só encontra na mentalidade de muitos povos o uso da arma, da guerra e da destruição para que este suposto amor possa se impor. Será que alguém consegue entender? Alguma relação com a política de guerra norte-americana dos dias atuais?

A grandiosidade dos cenários criados para mostrar a suntuosidade do reinado da Babilônia e a fotografia de Billy Bitzer ajudam a compor os méritos deste épico indispensável para entender a ideologia e a história do cinema mundial e especificamente o norte-americano.

A atriz Lilian Gish (1893-1993), famosa atriz americana do cinema mudo é a garota que balança o berço nos momentos de transição que intercalam as tramas. Walter Long (1879-1952) interpreta "O Rato" e Miriam Cooper (1891-1976) interpreta a garota da rua que acaba se relacionando com "O Rato" e matando-o momentos depois, cena esta que acaba por incriminar "O rapaz" quase levando-o à forca.

A cena em que Mae Marsh corre em busca do governador para que este anule a pena de seu marido é uma brilhante demonstração de como a montagem paralela pode ser utilizada para gerar intenso suspense.

Sinopse: A intolerância vista e analisada em quatro diferentes estágios da História: na Babilônia, onde uma garota vê-se entre o ódio religioso, levando uma cidade à ruína; na Judéia, onde os hipócritas condenam Jesus Cristo; na Paris de 1572, no Massacre da Noite de São Bartolomeu; e, finalmente, na América, onde reformadores acabam com a vida de um jovem casal.

Ficha Técnica: Direção: D.W. Griffith - Roteiro: D.W. Griffith (roteiro e intertítulos), Anita Loos (intertítulos), Hettie Grey Baker (intertítulos), Mary H. O'Connor (intertítulos), Walt Whitman (poema), Frank E. Woods (intertítulos), Tod Browning - Gênero: Drama - Origem: Estados Unidos - Duração: 163 minutos.
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Um comentário:

  1. Você está numa ótima onda Wendell. Só lamento não ter conferido estes últimos dois resenhados por você.

    Ciao!

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