terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Rashomon (Japão,1950,88 mins)
Minha nota:[10,0] -
Por Wendell Borges - 02/12/2008

Comentário: Esta Obra-prima de Akira Kurosawa (1910-1998) vencedora do Leão de Ouro no Festival de Veneza abriu as portas do cinema japonês para todo o ocidente.

Além da fotografia belíssima de Kazuo Miyagawa (1908-1999) com seus efeitos de luz e sombra, o filme conta com excelente uso do (POV) Plano Subjetivo e do Flashback e tem excelentes interpretações de todo o elenco. No seu décimo longa metragem Kurosawa já demonstrava toda a sua habilidade técnica e cênica, realizando um filme com montagem fragmentada de forma brilhante, todas estas qualidades técnicas, cênicas e dramáticas fazem deste filme um daqueles objetos de estudo para amantes da sétima arte.

A trama acontece durante o Japão feudal, um samurai chamado Takehiro, vivido por Masayuki Mori (1911-1973) é atacado juntamente com sua mulher, Masago, interpretada por Machiko Kyô (1924), por um criminoso chamado Tajômaru, papel do ator Toshiro Mifune (1920-1997). Masago é estuprada e Takehiro é assassinado. Durante o jugamento, passamos a acompanhar várias versões do ocorrido, primeiro escutamos a versão do lenhador interpretado por Takashi Shimura (1905-1982), em seguida ouvimos a versão do sacerdote interpretado por Minoru Chiaki (1917-1999) e o policial que capturou Tajomaru, interpretado por Daisuke Katô (1910-1975) que apenas narra como capturou Tajomaru, em seguida ouvimos o réu Tajomaru, Masago e até mesmo Takehiro, que encarna seu espírito na medium interpretada por Fumiko Honma (1910).

Há ainda a participação de um camponês interpretado por Kichijiro Ueda (1904-1972) que escuta o relato do lenhador e do monge, os três se refugiam durante a forte chuva nos ruínas de pedra do portão de Rashomon, local onde o filme tem início. O roteiro foi escrito por Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto (1918) foi baseado em estórias de Ryunosuke Akutagawa (1892-1927).

O espectador é convidado a acompanhar estas narrativas dos acontecimentos e agir como se fosse o juiz que daria o veredicto final determinando assiim o destino do envolvidos e além da imensa reflexão que traz sobre a natureza humana e a busca da verdade é uma daqueles filmes que nos faz repensar as nossas atitudes diante da complexidade dos julgamentos humanos.

A obra causou tanto impacto que teve seu nome associado ao hoje conhecido termo "Efeito Rashomon", utilizado pelo antropólogo americano Karl G. Heider (1935) no artigo "The Rashomon Effect: When Ethnographers Disagree (American Anthropologist, March 1988, Vol. 90 No. 1, pp. 73-81). O termo se refere ao efeito provocado pela subjetividade da percepção no relato de lembranças, reminiscências da memória e suas discrepâncias.

O Elenco de Rashomon

Uma vítima assassinada ou Suicidou-se?



O samurai interpretado por Masayuki Mori (1911-1973) que volta encarnado em uma medium para narrar sua versão do acontecido. Acredito que a dele tenha sido a versão verdadeira. Será?




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O Bandido assassino?





O famoso ator Japonês Toshiro Mifune (1920-1997) que interpreta o bandido Tajomaru. Mifune faleceu aos 77 anos em Mitaka, Japão.




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Testemunha 1


O sacerdote interpretado pelo ator Minoru Chiaki (1917-1999). Ele apenas vê o samurai passando com sua mulher na estrada. Não viu o rosto da mulher pois um véu lhe cobria o rosto.
"A vida é realmente delicada e passageira como o orvalho da manhã".



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Testemunha 2


O lenhador interpretado por Takashi Shimura (1905-1982). Estaria ele mentindo também na versão final dos acontecimentos? Quem ficou com o punhal de Machiko?




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Vilã ou Vítima
?



A atriz Machiko Kyo (1924) que interpreta a esposa estuprada e desonrada em Rashomon. Quem ficou com o valioso punhal da moça?




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O homem que capturou Tajomaru





O policial que captura Tajomaru, vivido pelo ator Daisuke Katô (1910-1975)



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O camponês que duvida de tudo e escarnece a humanidade


o ator Kichijiro Uêda (1904-1972) que interpreta o camponês que escuta a história do sacerdote e do lenhador. No final do filme, quando ele rouba o Kimono que estava enrolando o bebê, é repudiado pelo lenhador por sua ação e então escutamos Kichijiro questionar a honestidade do lenhador ao indagar quem ficou com o punhal de Machiko.




Anotações para quem já viu o filme (Wendell - Notes)

1 - A vida realmente é delicada e passageira como o orvalho da manhã.
2 - Tajomaru, o bandido capturado às margens do Katsura. A ironia é que Tajomaru foi derrubado do cavalo que ele roubou, tinha que ser uma retribuição fatal. "Tão perto de Osaka, bebi de uma fonte. Deve ter morrido uma cobra venenosa rio acima. Depois de um tempo, fiquei com uma dor incrível no estômago. Mas no momento que vim para o rio,não pude aguentar mais." Tojimaru repudiando o homem que lhe capturo dizendo que não caíra do cavalo, mas sim ficara tonto por causa de algum veneno que havia bebido na água.
3 - Estrada para Yamashina. [Yamashina é um dos onze distritos da cidade de Kioto]
4 - A minha vergonha de ter conhecido dois homens é pior que morrer - [ nesta cena, Masago implora para que Tajomaru mate seu marido para que ela não fique desonrada. Isso é que é prezar pela honra e pela moral! E pensar que aqui no Brasil as mulheres ficam com vários e não estão nem aí, assim como os homens.]
5 - Ninguém nunca cruzou espada comigo mais de 20 vezes. [ Tajomaru falando que contou 23 movimentos de espadas com o homem que ele matara no duelo]
6 - É por serem fracos que os homens mentem, até mesmo para eles. [ monge ]

Sinopse: Japão, século XI. Durante uma forte tempestade, um lenhador (Takashi Shimura), um sacerdote (Minoru Chiaki) e um camponês (Kichijiro Ueda) procuram refúgio nas ruínas de pedra do Portão de Rashomon. O sacerdote diz os detalhes de um julgamento que testemunhou, envolvendo o estupro de Masako (Machiko Kyô) e o assassinato do marido dela, Takehiro (Masayuki Mori), um samurai. Em flashback é mostrado o julgamento do bandido Tajomaru (Toshirô Mifune), onde acontecem quatro testemunhos, inclusive de Takehiro através de um médium. Cada um é uma "verdade", que entra em conflito com os outros.

Premiações
- Recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Direção de Arte - Preto e Branco.
- Ganhou um Oscar honorário, por ser considerado o melhor filme em língua estrangeira exibido nos Estados Unidos em 1951.
- Recebeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Filme.
- Ganhou o Leão de Ouro, no Festival de Veneza.

Curiosidades
- Foi o 1º filme a ter uma cena em que a câmera apontava diretamente para o sol.
- Visando um público maior, a RKO Radio Pictures também lançou uma versão dublada de Rashomon nos cinemas dos Estados Unidos.
- A categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar apenas passou a existir em 1956. Antes disso em alguns anos a Academia premiou um filme com um Oscar honorário, referente a esta premiação, como ocorreu com Rashomon.
- Refilmado como Rashomon (1960), Rashomon (1961), Quatro Confissões (1964) e Labirinto do Crime (1991).

Elenco: Toshirô Mifune (Tajomaru) - Machiko Kyô (Masako) - Masayuki Mori (Takehiro) - Minoru Chiaki (Sacerdote) - Kichijiro Ueda (Camponês) - Daisuke Katô (Policial) - Takashi Shimura (Lenhador) - Fumiko Honma (Médium)

Ficha Técnica: Título Original: Rashômon - Gênero: Drama - Tempo de Duração: 88 minutos - Ano de Lançamento (Japão): 1950 - Estúdio: Daiei Studios / Daiei Motion Picture Co. Ltd. - Distribuição: RKO Radio Pictures - Direção: Akira Kurosawa - Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em estórias de Ryunosuke Akutagawa - Produção: Minoru Jingo - Música: Fumio Hayasaka - Fotografia: Kazuo Miyagawa - Desenho de Produção: So Matsuyama - Direção de Arte: H. Matsumoto - Edição: Akira Kurosawa.
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Um comentário:

  1. Deve ser um puta de um filme. Preciso urgentemente finar meu atraso com Kurosawa. Vou tentar adquirie Os Sete Samurais primeiro.

    Ciao!

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