domingo, 28 de dezembro de 2008

A Regra do Jogo (La Regle du jeu, França, 1939, 106 mins)
Minha cotação:
Por Wendell Borges - 28/12/2008


Comentário: A Regra do Jogo é considerado por muitos críticos como um dos melhores filmes de todos os tempos e em quase todas as listas internacionais está entre os 10 melhores filmes já realizados. Minha curiosidade em assistí-lo estava em descobrir o porquê de tanta admiração para com o filme de Renoir. Ao final da projeção eu finalmente entendi o motivo.

Filmado no final dos anos 30 por Jean Renoir (1894-1979), filho do famoso pintor impressionista Pierre-Auguste RenoirSlide 44 (1841-1919), este clássico francês da época do movimento do Realismo-Poético, tem um grande elenco em cena, Marcel Dalio (1900-1983) no papel de Robert de la Cheyniest, Lise Elina em pequena participação como a repórter de rádio que entrevista Andre Jurieux, papel do ator Rouland Toutain (1905-1977); Paulette Dubost (1910) no papel da empregada Lisette, Nora Gregor (1901-1949) como Christine de la Cheyniest, Gaston Modot no papel do empregado ranzinza chamado Schumacher (1887-1970), Julien Carrete (1897-1966) interpretando o penetra mulherengo Marceau e o próprio Renoir também atua no papel de Octave, um sujeito bonachão e mulherengo.

A trama é narrada em tom de farsa [Peça teatral de comicidade exagerada, ação vivaz, irreverente e burlesca, e com elementos de comédia de costumes], um pouco de melodrama e culminando em tragédia com ácida crítica aos costumes burgueses da sociedade francesa.

Os diálogos ácidos e com uma liberdade sexual demonstrada pelas ações das personagens estavam realmente à frente do seu tempo, hoje, quase 70 anos depois o filme continua atualíssimo. Abaixo destaco um trecho do filme que é de uma ironia brilhante, diálogo entre Marceau, personagem de Julien Carrete e Robert (Marcel Dalio) :

- Diga que não me viu... Schumacher está atrás de mim.

- O que faz a ele?
- A ele, nada. À sua mulher!
- Lisette?

- Tivemos uns encontros. Ele nos viu e não gostou. Sr. Marquês, as mulheres são amáveis... eu as amo. Amo demais. Mas isso me causa problemas.
- A quem o diz.

- As coisas não vão bem?
- Não muito. Diga, em certos momentos não queria ser árabe?
- Não. para que?

- Por causa do harém! Só os muçulmanos mostraram certa lógica na famosa questão da relação entre homens e mulheres. No fundo, são como nós. Há sempre uma que eles preferem. Mas não se sentem obrigados a dispensar e magoar as outras. Eu não queria magoar ninguém. Especialmente uma mulher. Obrigado. É o drama da minha vida!

- Mas para isso é preciso ter os meios.
- Mesmo assim acabo fazendo todo mundo infeliz! Esposa, amante e a mim mesmo!

- As mulheres, seja para tê-las, deixá-las ou conservá-las procuro antes fazê-las rir. Quando uma mulher rir fica desarmada, você faz o que quer. Por que não procura fazer o mesmo Sr. Marquês?
- Por que é preciso ter o dom, Marceau! [ ... ]


O roteiro foi escrito por Jean Renoir e pelo alemão Carl Koch (1892-1963) inspirados em "O Casamento de Fígaro" do autor de teatro francês Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (1732-1799).

Alguém notou muitas diferenças entre as situações amorosas vividas pelos empregados e a de seus patrões durante o filme? É, parece que a educação dos burgueses quando o assunto é dor de cotovelo não difere muito da dos empregados, o jeito mesmo é partir para pancada.

Para finalizar fica em destaque a cena da caçada onde os burgueses matam friamente diversos patos e coelhos, cena dantesca de matança animal mostrando a frieza da diversão dos ricos. Fugir do tédio matando animais? Vai enteder. Obra-prima indiscutível!


Anotações para quem já viu o filme [ Wendell - notes ]


1 - Um Caudron de série com um motor Renault de 200 cavalos - O avião com o qual André Jurieux (Roland Toutain) cruzou o Atlântico.
2 - Genevieve em certo momento da trama fala uma frase de Chamford: " O amor na sociedade é a troca de duas fantasias e o contato de duas epidermes"

Sinopse: O aviador André Jurieux bateu recordes de vôo, mas só consegue pensar em sua amada Christine, mulher do aristocrata Robert de la Cheyniest. Jurieux consegue com um amigo um convite para a casa de campo em que o casal está dando uma grande festa de caça. Os sorrisos cordiais dos convidados escondem, porém, segredos e sentimentos, e o resultado disso é um assassinato.

Ficha Técnica: A Regra do Jogo - (Règle du jeu, La, França, 1939) - Títulos Alternativos: The Rules of the Game - Gênero: Comédia - Duração: 110 min. - Tipo: Longa-metragem / P&B - Distribuidora(s): Cult Filmes - Produtora(s): Nouvelle edition française - Diretor(es): Jean Renoir - Roteirista(s): Jean Renoir, Carl Koch - Elenco: Nora Gregor, Paulette Dubost, Mila Parély, Odette Talazac, Claire Gérard, Anne Mayen, Lise Elina, Dalio¹, Carette¹, Roland Toutain, Gaston Modot, Jean Renoir, Pierre Magnier, Eddy Debray, Pierre Nay.
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Um comentário:

  1. Tadeu N/A9:53 AM

    Mais um pecado não ter visto ainda.

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