segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A Tortura do Medo (Peeping Tom,EUA,1960, 101 mins)
Minha cotação: * * * *
Por Wendell Borges - 29/12/2008


Comentário: O diretor inglês Michael Powell (1905-1990) filmou em 1960 este intrigante e tenso filme já sem o roteirista húngaro Emeric Pressburger (1902-1988) com o qual trabalhou e dividiu os créditos dos filmes lançados desde 1939, data do primeiro trabalho da dupla, The Spy in Black (1939), até 1956, em seu último trabalho juntos com o filme Perigo nas Sombras (Ill Met by moonlight,1956).

Em A Tortura do medo, Powell trabalhou com Leo Marks (1920-2001), autor do roteiro e da história original que serviu de base para o filme.

Esta é minha primeira experiência com o trabalho do diretor Michael Powel em um filme que não foi bem aceito na época, considerado pornográfico e doentio. Há várias cenas com cartões de mulheres nuas pregados nas paredes do estabelecimento onde Mark tira fotos de modelos para venda de revistas clandestinas.

Um fato fascinante de A Tortura do medo é a forma como a trama é desenvolvida e a própria construção da personagem de Mark Lewis, intepretado pelo ator alemão Karlheinz Böhm (1928), impossível não sentir pena da personagem e acompanhar toda a sua angústia mesmo sendo ele o assassino frio que sente prazer em matar mulheres para lhes captar a sensação de medo.

Mark teve uma criação diferenciada, seu pai, A. N. Lewis, interpretado pelo próprio Powell em uma rápida ponta, era um cientista que usava o próprio filho, Mark, em experiências científicas, Mark teve a sua vida invadida pela presença da câmera do pai que buscava captar as sensações de medo do filho, numa cena vemos ele atirar um lagarto na cama enquanto filma Mark chorando.

Outra alusão interessante do filme, o fato de que Mark nega-se a fotografar sua amada, a personagem Helen Stephens, vivida por Anna Massey (1937), uma comparação pode ser feita a partir do estudo do semiólogo francês Regis Debray (1940) sobre morte e fotografia e suas relações subconscientes, Mark não queria fotografá-la, pois aqui especificamente a psique doentia de Mark o fazia assassinar todas as mulheres que demonstravam medo diante de sua câmera. Afinal, porque gostamos tanto de tirar fotografias? Por que a fotografia fascina tanto, assim como a captação das imagens? Por que o cinema é tão fascinante? A pesquisadora e crítica cinematográfica britânica Laura Mulvey (1941) em seu artigo Visual and others pleasures [Prazer Visual e cinema narrativo] analisa a condição de Voyeur dos espectadores.

O interessante diálogo entre Mark e a mãe cega de Helen Stephens, interpretada pela atriz Maxine Audley (1923-1992), revela todo o sadismo que fez com que muitos críticos torcessem o nariz para o trabalho de Powell. Martin Scorsese foi um dos responsáveis em trazer o filme para os dias atuais adquirindo uma cópia do filme durante os anos 70 e relançando-o em 1979 fazendo tributo ao diretor Michael Powell.

Vale destacar também a fotografia primorosa de Otto Heller (1896-1970) que ajudou a construir e intensificar a atmosfera densa e sufocante do filme. Infelizmente o DVD que comprei foi o lançado pela Silver Screen Collection e não pude ver o documentário existente no DVD lançado pela Criterion, disponível nos EUA, que traz além do documentário, um comentário em áudio de Laura Mulvey.


Anotações para quem já viu o filme [ WB]
1 - Susan Travers (1939) interpreta a modelo Lorraine, ela aparece com a boca deformada e atrai a atenção da câmera de Mark fascinado pelo rosto de sofrimento dela.
2 - Pamela Green (1932) - A modelo Milly, loura e bonita, é fotografada e assassinada por Mark.
3 - Shirley Anne Field (1938)


Michael Powell - (1905-1990)

Anotações para quem já viu o filme

1 - Lorraine e Milly são fotografadas por Mark Lewis
2- A Sra. Stephens, cega, passa a mão no rosto de Mark.
3 - A.N. Lewis, o pai de Mark fazia experiências científicas com ele. Ele é interpretado pelo diretor Michael Powell.
4 - Escoptofilia, isso lhe interessava. Dá mais em mentes férteis. [o psiquiatra que foi aluno de A.N.Lewis conversando com Mark no estúdio] Escoptofilia, a mórbida ansia de espiar.

Sinopse: Mark é um fotógrafo obcecado em capturar o medo no rosto das pessoas. Para isso, comete crimes e filma suas vítimas. Essa estranha necessidade surgiu por culpa do seu próprio pai, um psiquiatra que o sujeitava a terríveis experiências, registrando suas reações em pequenos filmes.

Ficha Técnica: Direção: Michael Powell Ano: 1960 País: Inglaterra Gênero: Drama, Terror, Thriller Duração: 101 min. / cor Título Original: Peeping Tom .
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2 comentários:

  1. Anônimo8:39 PM

    Eu sou doido pra ver esse filme,Wendell. Em breve devo estar comprando,parece ser um filme perturbador,além da aura de obra maldita que infelizmente lhe foi atribuída por ocasião de seu lançamento. Palmas para Scorsese,que o resgatou.
    Feliz ano novo pra vc!

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  2. Filme q eu tenho o maior interesse em assistir,pretendo comprar em breve.
    Feliz ano novo ae,kra.

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