sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Canibal Holocausto (Cannibal Holocaust, Itália, 1980, 95 mins)
Minha cotação: * * * *
por Wendell Borges - 16/01/2009 [17º filme visto em 2009]

O ser humano em sua forma sádica pura.

Comentário: Obra-prima do horror classe "B" italiano ainda hoje inédita no Brasil, estreou dia 07 de fevereiro de 1980 nos cinemas italianos, sendo exibido depois na Espanha (1980), França (1981), Alemanha (1981), Filipinas (1982), Japão (1983) e somente cinco anos depois em 19 de junho de 1985 estreou nos Estados Unidos, infelizmente a obra jamais foi lançada no Brasil, mas já existem cópias legendadas disponíveis na internet para quem quiser conferir a obra. O filme é extremamente ousado, repulsivo, polêmico, criativo e se não fossem as cenas de matanças de animais, realmente as mais sádicas e repulsivas do filme, ele poderia passar como um horror sádico entre seres humanos; há cenas de matança e estupro que apesar de não serem nenhuma novidade no gênero horror, foram realizadas aqui com extremo realismo, afinal, uma das artimanhas da arte é potencializar o falso, o irreal, e a arte mestra quando o assunto é confeccionar ilusões chama-se Cinema. O grande diferencial desta obra é o roteiro de Gianfranco Clerici e a jogada de marketing, uma antecipação em mais de dez anos da mesma coisa feita com o filme americano A Bruxa de Blair.

O diretor Ruggero Deodato teve que dar explicações sobre a matança dos animais no filme e também teve que provar que os atores do elenco que são mostrados no filme sendo assassinados por uma tribo de canibais continuavam vivos e salvos. O quarteto de atores amadores, Perry Pirkanen, Francesca Ciardi, Carl Gabriel Yorke (1954) e Mark Tomasso representam famosos cineastas responsáveis por realizarem grandes documentários, eles desapareceram na floresta amazônica quando tentavam filmar cenas de canibalismo e uma outra equipe é enviada para tentar resgatá-los com a esperança de que ainda estejam vivos.

O professor Harold Monroe, papel do ator Robert Kerman (1947), se embrenha na floresta com dois guias, Miguel Lujan e Chaco Losojos, papel de Salvatore Basile, e acaba fazendo amizade com os membros de tribos rivais, os Yanomamo, os Shamatari e os Yacumos. Monroe também encontra as filmagens do quarteto de cineastas desaparecidos e também descobre que todos foram brutalmente assassinados. Quando ele volta para a chamada civilização e assiste as filmagens com os produtores que querem lançar na íntegra o documentário realizado pelos cineastas mortos, acabam constatando a crueldade dos realizadores assassinados, eles observam atônitos a matança de diversos animais, o estupro de uma índia por Mark, Alan e Jack além de diversas outras crueldades.

Um misto de filme documentário fictício com cenas apelativas, realmente nojentas e sádicas em um espetáculo não recomendado para pessoas de estômago fraco. Mesmo com todas as cenas repulsivas o filme consegue ser tão realista com sua montagem que fica fácil compreender todo o alarde em torno da obra. Um questionamento que faço sem querer aqui defender a matança de animais simplesmente para que sejam filmadas cenas repuslivas para o deleite dos que se alimentam deste tipo de produto, mas muitas vezes estamos tão acostumados com a carne de frango, gado ou porco cozidas ou assadas que comemos no almoço ou na janta, que não percebemos que há toda uma indústria especializada na criação e matança em massa desses animais, carnes que compramos nos frigoríficos da vida sem querer ver ou saber como é feita a matança destes animais. Ao vermos cenas de seres humanos matando animais, mesmo que seja para comer-lhes a carne, fica difícil não sentir uma certa repulsa. O brilhantismo desta obra está em como escrevi nas linhas acima, em sua jogada de marketing, na potencialização do falso, na ilusão criada que põe em questão a realidade de muitas das cenas filmadas.

Fica aqui apenas o registro de que matar animais é um ato socialmente aceitável desde que seja para saciar a fome dos humanos e não como diversão sádica.

Sinopse: Quatro documentaristas se aventuram nas florestas da América do Sul para realizar um trabalho. Desaparecem. O material filmado é encontrado e a verdade é revelada...

Ficha Técnica: Cannibal Holocaust, Itália, 1979), 95 minutos - Direção: Ruggero Deodato - Roteiro: Gianfranco Clerici - Produção: Franco Di Nunzio e Franco Palaggi - Música: Riz Ortolami
Fotografia: Sergio D'Offizi - Edição: Vincenzo Tomassi - Desenhos de Produção: Massimo Antonello Geleng - Diretor de Segunda Unidade: Salvatore Basile e Lamberto Bava - Efeitos Especiais: Aldo Gasparri - Elenco: Robert Kerman (professor Harold Monroe), Francesca Ciardi (Faye Daniels), Perry Pirkanen (Jack Anders), Luca Barbareschi (Mark Tommaso) e Gabriel Yorke (Alan Yates).
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