sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Samurai (Le Samourai,França/Itália, 1967, 95 mins)
Minha cotação:
Por Wendell Borges - 09/01/2009 [10º filme visto em 2009]

O filme Cult que marcou uma geração

Comentário: A concepção audiovisual deste filme é digna de estar entre as grandes obras de arte que o cinema já produziu. A predominância da cor cinza no figurino e nos cenários tem muitos significados simbólicos, os quais podemos fazer algumas comparações para melhor entender a estética do filme:

- A imagem de um dia frio, céu escuro, nuvens carregadas, poderíamos relacionar a cor aqui há um sentimento de tristeza, e o cinza expressaria este sentimento e algumas aplicações do cinza podem estar relacionadas à perda de um ente querido (as cinzas), depressão e solidão, que no filme casam perfeitamente com o dia-a-dia e a personalidade do personagem Jef Costello, papel do consagrado ator francês Alain Delon (1935).

- Por ser uma cor intermediária entre o branco e o preto, muitos assumem que o cinza é uma cor que representa não compromentimento, ou seja, Jeff não é fiel às duas mulheres que parecem amá-lo no filme, a prostituta Jane Lagrange, interpretada por Nathalie Delon (ex-esposa do ator Alain Delon com quem teve um filho) e a pianista Valérie, papel de Cathy Rosier.

- Pelo fato do cinza estar muito presente em objetos tecnológicos, podemos também associar a cor à inteligência, praticidade, sabedoria e independência. A espeteza e independência do personagem de Delon. Ele está sempre um passo à frente dos policiais que o perseguem.

Após esta explicação sobre a utilização das cores em O Samurai, há de se constatar também a trilha sonora composta pelo assovio de um passarinho preso em uma gaiola, o jazz minimalista que pontua a trama do filme assinada por François de Roubaix (1939-1975), ambas em perfeita sintonia, e a a direção elegante do francês Jean-Pierre Melville (1917-1973) que conduz a trama com movimentos cadenciados e suaves. Elogios também ao diretor de fotografia Henri Decaë (1915-1987) e ao design de produção e a decoração cenográfica de François de Lamothe (1928).

Os diálogos curtos, os momentos de silêncio, a neutralidade das situações compostas para causar sensações de indecisão no espectador, afinal, quem era a vítima de Jef Costello, por que ele foi assassinado? Haviam causas que justificassem sua morte? A indecisão das pessoas buscando lembrar-se do rosto do assassino nas cenas de investigação remetem também à questão da memória, um rosto em meio à multidão, ternos cinzas e azuis, verdade e paixão, o amor e a morte convivendo na relação entre Jef e Valérie. Enfim, um ensaio de 29 páginas sobre o filme dissecando sua estética e analisando seus simbolismos já foi realizada por David Thompson e está incluída nos extras do DVD lançado pela Criterion Collection. O roteiro escrito por Jean-Pierre Melville e Georges Pellegrin foi baseado no romance O Ronin de Joan McLeod.

O filme tornou-se cult e ajudou a ascender ainda mais a carreira do já então famoso ator, Alain Delon. Até mesmo um perfume foi lançado com o mesmo nome do título original, Samouraï, feito só para homens. O filme também é considerado uma variação do estilo Noir americano, estilo que ficou conhecido como Neonoir.





Samourai - Perfume que pegou carona no sucesso do filme O Samurai.






Anotação para quem já viu o filme


1 - Jeff? [ primeira fala do filme com mais de 9 minutos dita por Jane Lagrange]
2 - Jane Lagrange, papel de Nathalia Delon (1941) não cede às propostas do detetive. O amor por Jef fala mais alto.

Sinopse: O matador Jeff Costello é um perfeccionista: ele sempre planeja com extremo cuidado todos os seus assassinatos para nunca ser pego. Uma noite, porém, ele finalmente é surpreendido por uma testemunha, e aos poucos, a partir daí, ele vai sendo cada vez mais pressionado.

Ficha Técnica: Direção: Jean-Pierre Melville -Gênero: Drama/Suspense - Origem: França/Itália - Duração: 105 minutos.
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