segunda-feira, 2 de março de 2009


Objeto Misterioso ao Meio-dia
, Dokfa nai meuman, 2000, Tailândia
Direção: Apichatpong Weerasethakul


Por Wendell Borges - Visto dia 02/03/2009 [60º filme visto em 2009]

Cotação
Valor artístico:
Valor de entretenimento:

"O Cinema é uma droga. É um abrigo quando não se consegue lidar com a realidade."
Apichatpong Weerasethakul


Comentário: Esta é minha primeira experiência com o cinema do tailandês Apichatpong Weerasethakul, um jovem cineasta de apenas 38 anos, formado em Arquitetura e com mestrado em Cinema pelo Instituto de Artes de Chicago. Ele já teve seu nome reconhecido e divulgado em diversos festivais de cinema e é tido como uma das grandes revelações tailandesas e mundiais do áudiovisual.

Bom, primeiro quero explicar o porquê das cinco estrelas acima, já que, tenho certeza absoluta que a quantidade de pessoas que irão ver e apreciar os filmes do sujeito serão realmente muito pequenas, retirando é claro os viciados em cinema e também compreendo todos aqueles que não apreciam ou nem mesmo tenham tido paciência em ver o filme.

Objeto misterioso ao meio-dia simplesmente me deixou em transe, meio que hipnotizado, não entendi bem o que era, mas sentia, era o som dos animais ao fundo, era uma criança sendo espiada de longe pelos olhares da mãe, talvez, ou de nós espectadores, era aquela história enigmática sendo encenada por atores amadores, era um alien que veio buscar o menino paraplégico e sua professora misteriosa. Um carro que acompanhava um vendedor de atum, uma mulher que chorava por causa da tristeza da vida, seu corpo vendido pelo próprio pai ao tio, e o diretor ainda pede, teria uma história de ficção para nos contar? A trama passa pelos gestos de garotas mudas, por suas interpretações e pela inquietude de um grupo de crianças na sala da escola.

O que era mesmo o misterioso objeto? A trama se encerra em um campo de futebol ao meio-dia, e o que era aquela bola ali junto aos garotos? Eles estavam ali buscando fugir da realidade concentrando-se naquela esfera, o cinema era aquela bola, aquela ilusão passageira, aquela droga, aquilo que vicia, aquilo que faz os que gostam de cinema, os que são loucos e viciados, viciados mesmo, loucamente, pela bola e pelo som da imagem. E o que era aquele objeto que caiu da saia da professora?

O método chamado "Exquisite corpse" [ Cadáver esquisito ], um jogo surrealista inventado por volta de 1925, é a receita para um filme indefinível, um documentário de ficção onde a imaginação é compartilhada por outras pessoas, num exercício de busca pelo prazer de sentir a vida como um carrossel infinito de sensações. Um filme para ser descoberto, redescoberto e logicamente, impossível de ser imitado ou refilmado.


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