segunda-feira, 22 de junho de 2009


Foucault por ele mesmo
Foucault Par Lui-même, França, 2003
Direção: Philippe Calderon [http://www.imdb.com/name/nm2006889/]
Duração: 62,5 minutos

Por Wendell Borges - filme visto dia 22/06/2009

Cotação: * * * *

Comentário: É sempre bom ouvir o grande filósofo Michel Foucault (1926-1984), autor de grandes obras da Filosofia contemporânea como As Palavras e as Coisas (1966), Vigiar e Punir (1975) e A História da Loucura (1961). Este documentário realizado em 2003 por Philippe Calderon traz imagens de arquivo de diversas entrevistas e leituras da obra foulcatiana em destaque para os estudos de Foucault sobre as concepções da Loucura na idade clássica (1961) no decorrer das épocas e sua concepção de Humanidade onde o homem desaparece como sendo o centro do interesse em meio aos grandes sistemas de pensamento. Alertando a quem ainda não viu, o documentário não é uma autobiografia, mas apenas um excerto do pensamento de Foucault com destaque para A História da Loucura (1961) e As Palavras e as coisas (1966).

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UM DOS MOMENTOS MAIS BRILHANTES DO DOCUMENTÁRIO

No fim do século XVIII se inventou uma palavra completamente nova para todo esse humanismo, do qual o marxismo e o existencialismo são, atualmente, os testemunhos mais visíveis.Mas eu penso que, paradoxalmente, o desenvolvimento das ciências humanas nos conduz agora muito mais a um desaparacimento do homem do que a uma apoteose do homem. De fato, quando se estuda, por exemplo o comportamento estrutural da família, o que fez Lévi-Strauss,ou quando se estuda os grandes mitos hindus, indo-europeus, como fez Dumézil, ou ainda quando se estuda bem precisamente a história mesma do nosso saber,percebe-se que o que se descobre não é o homem na sua verdade,o homem naquilo que ele pode ter de positivo,mas sim uma espécie de grande sistema de pensamento,de grandes organizações formais, que são, de certa maneira, como o solo sobre o qual as individualidades históricas aparecem. O que faz com que pensar atualmente a reflexão é completamente o inverso em relação àquilo que ela foi há alguns anos. Penso que vivemos atualmente um grande corte com o séxulo XIX, com todo o início do século XX. Eu mostrei que o que há de individual, de singular, de propriamente vivido no homem é só uma espécie de brilho de superfície por cima dos grandes sistemas formais e o pensamento deve atualmente reconstituir esses grandes sistemas formais sobre os quais flutuam as espumas e imagens da existência própria.

Lecture por tous - 1966

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