sexta-feira, 17 de julho de 2009


O Boulevard do Crime
[Parte 1: 97 mins /Parte 2: 90 mins] [Les Enfants du Paradis/ Lê Boulevard du Crime, França, 1945, 190 mins, Direção: Marcel Carné]



Cotação: 

Por Wendell Borges

Filme visto dia 14/07/2009

Comentário: Na Paris de 1830, anos depois da morte de Napoleão Bonaparte (1769-1821), há um local chamado O Boulevard du Temple, é lá que estão os teatros, os cabarés e a vida boêmia da capital francesa, um cenário no qual nasce um tumultuado triângulo amoroso composto pela atriz Garance, vivida pela bela Arletty (1898-1992), até eu fiquei apaixonado por ela ao final do filme, mas ela escapou pela multidão deixando o mímico Baptiste, magistralmente intepretado pelo ator Jean-Louis Barrault (1910-1994) e também Fréderick Lemaitre, vivido por Pierre Brasseur (1905-1972), com suas vidas e suas paixões pela arte da interpretação. O assassino frio chamado Pierre-François Lacenaire interpretado por Marcel Herrand (1897-1953) dizia que amava Garance, mas ele amava apenas a si próprio e transbordava de egoísmo em suas falas, aceita seu destino da mesma forma fria com a qual tocava sua vida; entre os personagens ainda temos o infeliz e rico Conde Édouard de Montray interpretado por Louis Salou (1902-1948), temos também a pobre e infeliz Nathalie, interpretada por María Casares (1922-1996), ela oferece todo o seu amor a Baptiste (Barrault), ele recompensa este amor por algum tempo dando a ela um filho, mas depois deixa transparecer a quem sua alma estava entregue, e o tal realismo poético que se caracterizava pela enfatização do papel do roteirista, aqui de forma sublime estampa sua genialidade nas falas das personagens e atendia pelo nome de Jacques Prévert (1900-1977). O filme apenas recebeu indicação ao oscar de melhor roteiro original no 19º oscar, mas perdeu para O Sétimo Véu (1945), filme inglês escrito pelo casal Muriel e Sidney Box. Fiquei com imensa vontade de ver este O Sétimo Véu, pois para ter tirado o oscar de O Boulevard do Crime deve ter um roteiro genial. Marcel Carné (1909-1996), o diretor desta obra-prima não recebeu indicação e também não foi premiado pelo filme. Carné era homossexual e deixou transparecer isto fazendo referências ao homo e ao bissexualismo em alguns de seus filmes, faleceu aos 90 anos.


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