domingo, 26 de julho de 2009


Verônica, Brasil, 2009,90 mins
Direção: Maurício Farias
Roteiro: Roteiro: Bernardo Guilherme e Maurício Farias, com diálogos de Bernardo Guilherme, Maurício Farias e Andréa Beltrão
Site oficial: Verônica
Elenco: Andréa Beltrão (Verônica) - Marco Ricca (Paulo) - Matheus de Sá (Leandro) - Giulio Lopes (Coutinho) - Andréa Dantas (Selma) - Patrícia Selonk (Aline) - Flávio Migliaccio (Seu Luís) - Camila Amado (D. Rita) - Aílton Graça (Major Diniz) - Jorge Lucas (Almeida) - Thogun (Aranha) - Jonathan Azevedo (Puleiro) - Wallace Coutinho (Tiquinho) - Aline Borges (Janete) - Júlio Adrião (Rui) - Alexandre Zacchia (Coronel)


Cotação
Valor artístico:

Valor de entretenimento: 1/2

Por Wendell Borges -
Filme visto dia 26/07/2009

"O bom professor é quase um super-herói"
Andréa Beltrão [Entrevista]


Comentário:
Andréa Beltrão (1963) segura as pontas neste misto de drama, suspense e um pouco de ação e consegue fazer de Verônica um entretenimento acima de média. Há algumas cenas meio forçadas e o roteiro é esquemático, mas o cinema nacional não constuma investir muito em filmes de ação/suspense e o preconceito para com personagens femininas em papéis que regularmente são de homens ainda persiste em muitas pessoas. Apesar do roteiro não se aprofundar na questão problemática da corrupção e no mundo caótico da guerra entre Polícia e o intenso tráfico de drogas do Rio de Janeiro, acredito que a proposta do filme tenha sido muito mais de um thriller, apenas entretenimento, do que uma profunda crítica social, fato este que não funciona desta perspectiva.

A trama é simples, Verônica (Andréa Beltrão) é professora da rede municipal de ensino há vinte anos e está passando por sérios problemas pessoais, separada do ex-marido, papel de Marco Ricca, um policial corrupto chamado Paulo, e com a mãe doente em um hospital, ela tenta proteger um aluno, interpretado por Matheus de Sá que teve os pais assassinados por bandidos e policiais envolvidos em um esquema de corrupção e tráfico de drogas. Há ainda uma rápida participação do ator Ailton Graça no papel do major Diniz.


Curiosidade: Terá o sido o nome de Verônica escolhido por causa da personagem bíblica Verônica, que enxuga o rosto de Jesus na 6ª Estação da Via Sacra?


A esta altura do percurso, por terem ultrapassado o portão do muro que fechava a cidade, grande parte do povo que já conhecia aquelas cenas, perderam o interesse e debandaram. Uma mulher aproximou-se e enxugou o rosto ensangüentado do SENHOR.

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Por Wendell Borges

Aqui apenas um rápido esboço de um estudo da "Ficcionalização" do filme através do processo criado por Roger Odin (Professor de Cinema da Universidade de Paris), por meio do qual o espectador responde à ficção e é levado a identificar-se com as personagens, seja para amá-las ou odiá-las. Odin divide esse processo em sete operações distintas:

1. Figurativização: A construção de signos analógicos audiovisuais
2. Diegetização: A construção do mundo fictício em Verônica é bem realizado, retirando a cena em que ela desarma dois policiais, incluindo o marido, as demais cenas e cenários são bem construídas.
3. Narrativização: o filme centra-se inteiramente na relação entre Verônica e seu aluno, os antagonistas ficam bastante em segundo plano, talvez um pouco mais de intensividade na colocação dos bandidos e do marido em cena tivesse ajudado a construir um clima maior de suspense.
4. Mostração: O mundo diegético aqui é construído como se fosse realidade já que se trata de uma obra de pura ficção e não de um documentário.
5. Crença: o espaço que separa a consciência de estar diante de uma obra fictícia e de vivenciar o filme "como se" fosse real é feito com boa intensidade, neste quesito o filme pode ser considerado como um bom filme, uma vez que o espaço diegético e a mostração são eficientes.
6. Mise-en-phase - "colocação em fase": A colocação em fase, ou seja, o trabalho rítmico e musical, o jogo de olhares e o enquadramento, para fazer com que o espectador vibre ao ritmo dos acontecimentos fílmicos ganham pontos graças à atuação de Andréa Beltrão, em close na tela ela demonstra sua grandiosidade como atriz dramática e seu rosto na tela passa o sentimento de angústica e preocupação, já o menino falha em diversos momentos, parecendo sorrir em situações que exigiriam outras expressões. A trilha sonora deixa a desejar e assim como o roteiro é bastante esquemática.
7.Ficcionalização: o filme consegue tocar em alguns momentos, no meu caso sou professor e mesmo não vivendo em uma realidade violenta como a da protagonista, os ambientes em sala de aula retrataram com boa realidade o estressante mundo de uma professora primária.

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TRAILER








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