quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Claro, Roma, Itália, 1975,110 minutos
Direção e roteiro: Gláuber Rocha.
Ficha Técnica: Claro [Tempo Gláuber]

Wendell Borges - Filme visto 10/09/2009

Cotação
Valor artístico:
Valor de entretenimento: ½

"Uma visão brasileira de Roma. Ou melhor, um depoimento do colonizado sobre a terra da colonização." Tempo Glauber

Comentário: Um filme de Gláuber Rocha (1939-1981) feito na Europa com a atuação de sua namorada na época, a atriz francesa Juliet Berto, lançada por Godard no filme A Chinesa em 1966. Narrativa não linear, como é a maioria dos filmes de Gláuber, mistura de ensaio, cinema documentário e manifesto de reflexão política. Há no filme também a aparição do cineasta italiano Carmelo Bene (1937-2002), autor de 20 filmes realizados entre 1967 e 2002. Um filme indicado apenas para os amantes do cinema, quem busca entretenimento escapista logicamente deve fugir deste filme.

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Glauber Rocha comentando o filme em entrevista concedida no Paese Sera, Roma, edição de 23/jul./1975. [Tempo Glauber]


COMENTÁRIO

Por que este título?
Porque queria ver claro nas contradições da sociedade capitalista de nosso tempo.

Você está seguro de que esta clareza será transmitida também aos espectadores?
Não sou profeta. Creio honestamente ter feito um filme sem ambiguidades, quero dizer não ambíguo sobre o plano político. Por exemplo, parece-me bastante claro o momento em que, na conclusão do filme, a gente pobre ocupa literalmente a tela: o povo deve ocupar o espaço que lhe foi arrancado em séculos de repressão. Quanto a minha relação com o público, posso dizer que não tenho mesmo uma visão paternalista de espectador. A minha, pelo contrário, é também uma obra aberta, que deixa amplo espaço à livre interpretação, mas, repito, sem nunca ser ambíguo.

Diga alguma coisa sobre a protagonista feminina e sobre o significado da sequência inicial.
A protagonista é também um mito, um mito que atravessa o filme: poderia ser o mito da inocência, da ingenuidade em relação com o mundo hostil, repressivo. O diálogo musical do início, entre a moça e a voz fora do campo, é uma espécie de exorcismo, um fato ritual, um batepronto entre passado e presente, entre angústia e esperança. É também um modo de combater a neurose que creio ser um produto típico do sistema capitalista.

Entrevista com Glauber Rocha, no Paese Sera, Roma, edição de 23/jul./1975.

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FILMOGRAFIA DE GLÁUBER ROCHA

[Com cotação para os filmes que já assisti até hoje: 10/09/2009

Ano Filme Prêmios e Indicações
1962 Barravento
1963 Deus e o Diabo na Terra do Sol Indicado: Festival de Cannes: Palma de Ouro
1967 Terra em Transe Link Vencedor Festival de Cannes: FIPRESCI
Indicado: Festival de Cannes: Palma de Ouro
1968 O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro Vencedor Festival de Cannes: Melhor Diretor
Indicado: Festival de Cannes: Palma de Ouro
1970 Cabeças Cortadas
1971 O Leão de Sete Cabeças
1972 Câncer
1975 Claro
1980 A Idade da Terra


Documentários e curta-metragens
  • 1959 - O Pátio
  • 1966 - Maranhão 66
  • 1974 - História do Brasil
  • 1974 - As Armas e o Povo
  • 1976 - Di Glauber
  • 1979 - Jorge Amado no cinema





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