terça-feira, 13 de outubro de 2009


PRINCÍPIOS ESTÉTICOS


Por Wendell Borges


Parte 1


[em constante revisão]

Cada filme é uma experiência única e subjetiva, um filme não funciona da mesma forma para todas as pessoas, salvo é claro as exceções que sempre fazem parte do jogo, principalmente quando o que está em jogo é um fenômeno chamado Arte, e neste caso específico uma forma de arte chamada Cinema. São nestas exceções entretanto que um espaço é aberto para que o sujeito que pensa sobre aquele mundo fictício ali criado, ou então aquela junção de imagens filtradas pela realidade e montadas para criação de uma obra documental sejam assistidas, avaliadas, sentidas e comentadas pelos espectadores que buscam, mesmo que na grande maioria das vezes seja extremamente difícil, não se entregar completamente àquele mundo ali criado, fincando um pé fora daquela ficção e de forma crítica e baseados em algum princípio moral ou estético pensar e avaliar o que foi visto. Um problema gigantesco é aqui criado quando não sabemos ao certo como fincar este pé em algum princípio estético, moralista, ou quando não temos conhecimento suficiente daquele tipo de arte para podermos avaliá-lo da forma que um profissional daquela arte faria. Resta então a subjetividade, a capacidade de pensar e de estabelecer princípios morais ou estéticos pessoais.

Se o que importa na verdade é que o filme seja capaz de fazer com que você sorria, pense, chore, grite ou dance, ou que o faça refletir sobre o tédio sem ser entediante, uma reflexão válida sobre as emoções sentidas só será possível se o sujeito que está diante das combinações de sons e imagens seja capaz de pensar sobre aquelas emoções que o objeto filmado ao qual está assistindo despertou, e o filme então seja visto sem que o sujeito se entregue inteiramente ao mundo fictício ou não ali criado, neste caso do "ou não", refiro-me aos documentários que sempre ficam divididos entre a ficção e a tal da realidade, e com isso pensar de que forma o filme nos levou a tais emoções ou reflexões.

O que é um filme? É um universo criado em um determinado tempo, montado de uma maneira única, com atores que interpretam personagens ou às vezes encenam as personas que interpretam na vida dita real. O que é uma emoção? Que emoções um filme é capaz de provocar? Assim como diversas formas de arte o cinema tem a capacidade de extrair de nosso corpo sensações diversas, sejam de repulsa, medo, asco, tédio, impaciência, angústia, agonia ou alegria, estes sentimentos são criados e intencionalmente montados para que estas sensações ocorram, nem sempre os cineastas e artistas envolvidos na obra conseguem fazê-lo e o filme acaba se tornando um mero produto capitalista que visa tão somente o lucro fácil sem preocupação em fazer com que pensemos sobre a vida e de que forma fazemos nossas escolhas nela.

Quando assisto a um filme propositadamente ruim e ele demonstra ao seu final uma beleza única, este filme não deixa de ser ruim no sentido moral ou estético, mas transforma-se em algo com beleza própria, interna, quase como se o feio e o grotesco mudassem nossa visão sobre o que é realmente belo e nos fizessem refletir sobre a beleza, a feiúra, o bem e o mal dentro daquele universo ali criado. Afinal o que é um filme ruim, razoável ou bom, ou Muito bom ou uma chamada Obra-prima? Avaliar sempre é um desafio, julgar sempre é um desafio, quais são meus valores morais e estéticos? o que entendo eu de arte? o que entendo eu de cinema? Os valores atribuídos aos filmes logicamente não refletem os nossos sentimentos ao vê-los, são apenas uma forma, uma tentativa de mostrar aos outros um pouco do que foram aquelas horas passadas diante da tela.

O entretenimento apenas nos faz passar o tempo, sorrir um pouco, gargalhar com uma situação desengonçada ou então sentirmos asco por uma cena grotesca, mas o que é capaz de nos fazer mudar um pouco, nem que seja por alguns instantes, pode ou não ser a fuga da realidade para aquele algo mais que algumas obras despertam, se são obras-primas ou não, isto é algo a ser discutido. Existem obras de arte perfeitas? O que seria essa perfeição? A ordem, talvez sem falhas, mas esta sincronia robótica pode não ser boa, se não há sentimento não ha prazer, não, acredito que não?


REFLEXÕES DIVERSAS SOBRE O UNIVERSO DA ARTE E DO CINEMA

1. Beleza interna, como sentir isto na obra? Poesia do som e da imagem? Aquilo é indústria e aquilo é arte.

2. Atuações perfeitas? Nos fizeram sorrir e gargalhar aquele comediante? Nos fizeram chorar aquela atriz? Por quê? Despertou-me uma lembrança ou mágoa vivida. Em você não?

3. Um susto, tensão, agonia, mas é só ficção, não é verdade, é de mentirinha.

4. Eu sei que não explodiu, sei que não morreu, houve uma explosão digital e o final foi feliz, ou poderia ter sido diferente aquele ângulo.

5. Por que usar o efeito se aquele tipo de filtro usado na lente extrai mais realismo? Afinal eu quero enganar você.

6. Ainda estou pensando o que é arte e beleza, com espaço também para o feio e o grotesco e a forma como todos apontam para a reflexão sobre a arte.

7. Educar o olhar para a sensibilidade ou sentir o sangue falso apreciando seus tons de vermelho. Sentiu ódio ou quis que aquele vilão morresse e fosse esquartejado? A mocinha não beijou o herói. O vilão fugiu com a mocinha. O vilão não explodiu. O filme não tinha conflitos.






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