quinta-feira, 31 de março de 2011


Câncer
de Glauber Rocha, Brasil, 1972, 86 min

Filme visto dia: 31/03/2011

Cotação
Força estética:

O Marginal interpretado por Hugo Carvana em diálogo com a personagem de Odete Lara em determinado momento do filme diz: "Nós não temos nada a ver com as massas, somos dois otários, vendo televisão. Ao meio dia alguém que vê televisão merece ser violentado, você merece ser violentada por quatro crioulos com a camisa do Flamengo na estrada Rio-Petrópolis".


Comentário: O Cinema de Glauber Rocha é sempre um desafio, sua linguagem por vezes hermética e difícil pode ser entendida quando lemos análises feitas por especialistas em cinema brasileiro e especificamente naqueles que estudam sua obra com mais profundidade. Após terminar de ver Câncer descobri que o filme foi um estudo feito para analisar o problema da resistência de duração do plano cinematográfico, sendo a obra um estudo de técnica e como o próprio Glauber diz: "Resolvi fazer um filme em que cada plano durasse um chassi, e estudar a quase-eliminação da montagem quando existe uma ação verbal e psicológica dentro da mesma tomada".

No elenco principal temos Hugo Carvana (1937), Antonio Pitanga (1939) e Odete Lara (1929), Carvana interpreta um Marginal carioca e um delegado de polícia, Odete Lara interpreta uma mulher de classe média que namora com o Marginal interpretado por Carvana, e Antonio Pitanga interpreta um desempregado marginal à procura de trabalho. Este filme é considerado o precursor da chamada Escola Marginal/Underground do Cinema Brasileiro. Estão presentes na obra as habituais críticas sociais de Glauber e sua usual direção de atores em constante dialética com doses de surrealismo e teatro do absurdo.




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