sábado, 9 de abril de 2011


As Mães de Chico Xavier
de Glauber Filho e Halder Gomes, Brasil, 2010,111 min

Filme visto dia: 09/04/2011

Cotação
Força estética:

Comentário: O filme constrói sua carpintaria dramática com soluções automáticas de melodrama e busca com isto emocionar o público, principalmente o feminino, que mais propenso ao choro derrama-se em lágrimas. Não quero com isto dizer que sou daquele tipo insensível, que não chora ao lembrar de algum ente querido que já se foi, mas é fácil constatar que a obra de Glauber Filho aposta neste esquema dramático para atrair seu público. E também quero deixar claro que não sou machista, daquele tipo que pensa que homem não chora, eu já chorei em vários filmes, mas não consegui emocionar-me com As Mães de Chico Xavier, pelo menos não ao ponto de chorar. O diretor Glauber Filho, o mesmo de Bezerra de Menezes: O Diário de Um Espírito, de qualquer modo já evolui um pouco com este segundo trabalho de temática espírita, um nicho mercadológico que o cinema nacional parece ter descoberto.

O Elenco é esforçado, Nelson Xavier está ainda mais à vontade no papel do médium Chico Xavier, que ele interpretou no longa dirigido por Daniel Filho ano passado. O roteiro escrito pelo diretor com a colaboração de Emmanuel Nogueira é baseado no livro Por Trás do Véu de Ísis escrito pelo jornalista e escritor Marcel Souto Maior, também autor de As Vidas de Chico Xavier, obra que inspirou Daniel Filho a dirigir a cinebiografia do médium mais famoso do Brasil.

O bom elenco feminino é formado pelas atrizes Via Negromonte, que interpreta Ruth, uma mãe que vive um drama com o filho drogado; Vanessa Gerbelli que sofre após a perda do filho de cinco anos e tenta segurar seu casamento; e Tainá Müller, que vem conquistando seu espaço desde Cão Sem Dono e recentemente com Tropa de Elite 2, interpreta uma jovem professora que pensa em abortar após descobrir que o namorado planeja viajar para fazer mestrado, elas dão conta do recado e garantem o tom dramático nas cenas de maior emoção. O ator Caio Blat interpreta um jornalista cético chamado Karl, inspirado em Marcel Souto Maior, que na vida real desdenhava da figura de Chico Xavier antes de começar a investigar sua vida e escrever o livro “As vidas de Chico Xavier".

Entretanto, o maior problema do filme para o público cinéfilo é que ele parece ter sido feito para TV, montagem simples, sem grandes apostas visuais e estéticas. Tudo muito no piloto automático e com uma péssima trilha sonora. O filme apesar de sua simplicidade em termos de criatividade cinematográfica, dialoga bem com o público, emociona, e deve fazer boa bilheteria pagando o custo de R$ 3,8 milhões para alegria dos produtores, fechando assim a já batizada Trilogia do centenário de Chico Xavier (1910-2002).



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