terça-feira, 5 de abril de 2011

Barravento
de Gláuber Rocha, Brasil, 1961, 74 min

Filme visto dia: 05/04/2011

Cotação
Força estética:

Comentário: Glauber Rocha (1939-1981) era um diretor genial, em seu primeiro trabalho realizado em 1961 ele conseguiu obter um lirismo de imagens atualmente raro no cinema brasileiro, filmando uma aldeia de pescadores de xaréu na Bahia, descedentes de negros africanos que carregam consigo suas crenças místicas e culturais. É neste cenário que Glauber tece uma trama onde suas crenças estéticas e conflitos políticos começavam a brotar no cenário do cinema nacional.

As filmagens iniciais foram realizadas pelo também roteirista Luiz Paulino dos Santos, que teve a idéia para o filme, mas desistiu das filmagens ficando com Glauber Rocha, que era diretor artístico da obra, a responsabilidade para dar rumos finais ao trabalho. Ele então reescreve o roteiro com a ajuda de José Telles de Magalhães e realiza um filme cheio de momentos sublimes. No elenco temos Antônio Pitanga, um ator que voltaria a atuar em vários filmes de Glauber, interpretando um homem chamado Firmino, que retorna à sua aldeia de pescadores para tentar criar uma revolução entre os irmãos, fazendo-lhes acreditar que eles podem largar aquela vida de pescadores pobres e lutarem por melhores condições de vida e de trabalho.

O grande diretor de fotografia Tony Rabatoni (1927-1995) foi o responsável pela belíssima fotografia em preto e branco que juntamente com a visão artística de Glauber fizeram de Barravento uma das grandes obras cinematográficas brasileiras dos anos 60, e na minha opinião um dos mais belos trabalhos da filmografia de Glauber Rocha.

Para finalizar o comentário uma rápida opinião do próprio Glauber sobre a obra: "Alguns elementos do filme fazem parte de minhas preocupações: o fatalismo mítico, a agitação política e as relações entre a poesia e o lirismo, uma relação complexa num mundo bárbaro. Um ensaio cinematográfico, uma experiência de iniciante."


Sinopse: [Tempo Glauber] Numa aldeia de pescadores de xaréu, cujos antepassados vieram da África como escravos, permanecem antigos cultos místicos ligados ao candomblé. A chegada de Firmino, antigo morador que se mudou para Salvador fugindo da pobreza, altera o panorama pacato do local, polarizando tensões. Firmino tem uma atração por Cota, mas não consegue esquecer Naína que, por sua vez, gosta de Aruã. Firmino encomenda um despacho contra Aruã, que não é atingido, ao contrário da aldeia que vê a rede arrebentada, impedindo o trabalho da pesca. Firmino incita os pescadores à revolta contra o dono da rede, chegando a destruí-la. Policiais chegam à aldeia para controlar o equipamento. Na sua luta contra a exploração, Firmino se indispõe contra o Mestre, intermediário dos pescadores e do dono da rede. Um pescador convence Aruã de pescar sem a rede, já que a sua castidade o faria um protegido de Iemanjá. Os pescadores são bem sucedido na empreitada, destacando-se a liderança de Aruã. Naína revela para uma preta velha o seu amor impossível por Aruã. Diante da sua derrota contra o misticismo, Firmino convence Cota a tirar a virgindade de Aruã, quebrando assim o encantamento religioso de que ele estaria investido por Iemanjá. Aruã sucumbe à tentação. Uma tempestade anuncia o "barravento", o momento de violência. Os pescadores saem para o mar, com a morte de dois deles, Vicente e Chico. Firmino denuncia a perda de castidade de Aruã. O Mestre o renega. Os mortos são velados, e Naína aceita fazer o santo, para que possa casar com Aruã. Ele promete casamento, mas antes decide partir para a cidade de forma a trabalhar e conseguir dinheiro para a compra de uma rede nova. No mesmo lugar em que Firmino chegou à aldeia, Aruã parte em direção à cidade
antigos cultos místicos ligados ao candomblé. A chegada de Firmino, antigo morador que se mudou para Salvador anuncia o "barravento", o momento de violência. Os pescadores saem para o mar, com a morte de dois deles,

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