sábado, 9 de abril de 2011

O Profeta da Fome
de Maurice Capovilla, Brasil, 1970, 93 min

Filme visto dia: 09/04/2011

Cotação
Força estética:

Comentário: O Profeta da fome é um espetáculo cinematográfico extremamente difícil de se acompanhar que exige paciência do espectador, mas que com o passar dos minutos vai se transformando em uma aula de cinema metalinguístico que merece ser vista e discutida. O filme foi dirigido por Maurice Capovilla (1936) em 1969, e está inserido no chamado Movimento brasileiro do Cinema Novo, inspirado nos europeus "Nouvelle Vague" e Neo-realismo italiano.

No entanto, os cineastas que tocaram o Movimento Cinema Novo tiveram a preocupação de criar um movimento cultural e artístico que tivesse a nossa cara e que discutisse os nossos problemas sociais. É daí então que surgem obras importantes como a "Estética da Fome", tese manifesto de Glauber Rocha publicada em 1965, que ajudou a dar ao movimento um rosto político-social com a brasilidade efeverscente de uma arte nossa. O movimento que teve como marco inicial o filme Rio 40 Graus de Nelson Pereira dos Santos lançado em 1955, começou então a ganhar popularidade entre cineastas europeus.

Neste filme de Capovilla acompanhamos um grupo circense que tenta a todo custo sobreviver em meio à sua precariedade e a falta de dinheiro e de público. Entre os personagens circenses destacam-se a figura do domador de leões, vivido por Maurício do Valle (1928-1994) e o personagem principal da trama, o Faquir Ali khan vivido por José Mojica Marins, o nosso zé do caixão.

Após o incêndio e a destruição do Circo, o Faquir viaja com sua mulher Maria, papel de Júlia Miranda, até uma pequena cidade. Lá ele apresenta um número que chama a atenção do povo humilde e religioso, o de um crucificado vivo. Ele atrai muita gente com o espetáculo mas é preso, e na prisão descobre a chave para o sucesso, resolve ficar 100 dias em jejum e com isso quebrar o recorde mundial por passar mais tempo sem comer, é a espetacularização da fome, fome transformada em arte, na época em que havia movimentos que buscavam um diálogo conscientizador com o público, mas o irônico é que o povo só queria mesmo saber era das chanchadas e das pornochanchadas. O Profeta da Fome é assim um filme que teve uma preocupação estilística e reflexiva em uma época extremamente difícil do cinema brasileiro, e por isso merece a atenção e a divulgação para que a obra continue provocando e suscitando novas leituras.



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Um comentário:

  1. OI. Adorei o blog. é disto que precisamos em Portugal.
    Se quiseres, passa pelo meu. Estou a oferecer dvd's originais todos os meses.

    http://cinemofilia.blogspot.com/

    Continua o bom trabalho.

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