sábado, 24 de dezembro de 2011

Doces Poderes
de Lúcia Murat, Brasil, 1996, 97 min

Filme visto dia: 24/12/2011

Minha Cotação:


Comentário: Esta irônica comédia da talentosa jornalista e diretora Lúcia Murat (1949) revela os bastidores do marketing político e do nosso já conhecido jogo de cartas marcadas da política brasileira. Murat usa toda sua experiência como militante, foi presa em 1971, torturada física, psicológica e sexualmente durante a ditadura militar no Brasil e mostra neste filme o quanto a mídia influencia o espectador na hora das eleições. Grande atuação de Marisa Orth na pele da jornalista Bia que durante o período eleitoral assume a chefia da sucursal da principal rede de TV do país. A trilha sonora é encabeçada pela bela canção "Dona de Castelo" escrita por Wally Salomão e Macalé interpretada pela voz poderosa de Adriana Calcanhoto.


ELENCO
Marisa Orth... Bia Campos Jordão
Antônio Fagundes... Chico Silva
José de Abreu... deputado Ronaldo Cavalcanti
Otávio Augusto... deputado Léo Miranda
Cláudia Lira... Tatiana Lins
Tuca Andrada... Alex
Sérgio Mamberti... Bob
Catarina Abdala... jornalista de Pernambuco


Filmografia da Diretora Lúcia Murat

  • Uma longa viagem (2011)
  • Maré, Nossa História de Amor (2007)
  • Olhar Estrangeiro (2006)
  • Quase Dois Irmãos (2004)
  • Brava Gente Brasileira (2000)
  • Doces Poderes (1997)
  • Oswaldianas (1992) (segmento "Daisy das Almas Deste Mundo")
  • Que Bom Te Ver Viva (1989)
  • O Pequeno Exército Louco (1984)


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O COMENTÁRIO DE LÚCIA MURAT SOBRE O FILME
Retirado do site: http://www.taigafilmes.com/docespoderes2.html

Vivemos num mundo onde à razão cínica não se contrapõe mais a razão utópica. O filme "Doces Poderes" coloca a olho nu esta questão, de vários pontos de vista: o da midia, o do poder político e a ótica individual dos profissionais de comunicação. Sua importância está em mostrar como esta questão se dá concretamente no Brasil, um país onde uma democracia recente convive com um capitalismo perverso. Desnudar a forma como o poder político se estabelece, mostrando todas as forças em jogo numa eleição é de extrema importância para que se possa apreender o país em que vivemos. As altas verbas destinadas às campanhas eleitorais tornaram natural que publicitários, redatores, repórteres, cinegrafistas e diretores aderissem a esse mercado sem que houvesse qualquer critério, a não ser o financeiro, para a escolha dos candidatos aos quais iriam servir enquanto profissionais. Premidos na luta pela sobrevivência, perdidos entre os sonhos que acabaram, a questão ética parece ter se tornado algo do passado.A esquizofrenia e a selvageria destas relações estão à mostra neste filme. Para o espectador, esta é uma oportunidade de se emocionar, pensar e refletir sobre a realidade brasileira, sem maniqueísmos. Podres poderes ou doces poderes? Neste confuso fim de século, o filme pergunta: como sobreviver a todas estas contradições, se não existe mais um mito no fim do tunel? "Doces Poderes" se insere na linha dos filmes que pretendem restabelecer uma relação com o espectador brasileiro, respeitando-o como alguém que pode e deve ser crítico. E apesar de desnudar relações de poder existentes no nosso país, trata de questões que atingem o mundo todo: a monetarização das relações humanas, o novo papel da midia, a crise da ética.

Lúcia Murat



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