segunda-feira, 15 de setembro de 2014

É possível uma Esquizoanálise do Cinema?


Por Wendell Borges

Leitura, tradução e comentário do artigo " Is a Schinozanalysis of Cinema Possible?" de Ian Buchanan.




Is a Schizoanalysis of Cinema Possible?
Abstract: Is a schizoanalysis of cinema possible? This question arises from the observation that there is no apparent continuity between Deleuze’s two-volume collaboration with Guattari, Anti-Oedipus and A Thousand Plateaus, and the books he wrote afterwards, Cinema 1 and Cinema 2. It is also prompted by the observation that Anti-Oedipus and A Thousand Plateaus seem to rely a great deal on cinema in order to develop and exemplify the many new concepts these books introduce. This paper highlights three such instances in their work. The fact is, Deleuze and Guattari claim that the core schizoanalytic concepts of the body without organs, the abstract machine and assemblage can account for “all things”; as such, these concepts must account for cinema too. It is the sheer expansiveness of these concepts that makes them attractive to cinema studies. Not only that, they promise a way of engaging with cinema that isn’t reliant on the fictions of identification, recognition and fantasy. In this sense we are permitted to assume that to some degree Cinema 1 and Cinema 2 are already schizoanalytic, albeit in ways we have yet to properly understand. The author makes a direct link between cinema and schizoanalysis by highlighting the significance of delirium to both. This paper argues that the royal road to a schizoanalysis of cinema is via delirium rather than dream or fantasy. It goes on to show how Deleuze and Guattari’s formalisation of delirium as a “regime of signs” can be used to inaugurate a new kind of semiology of cinema.


Resumo: É possível uma esquizoanálise do cinema? Esta questão surge a partir da observação de que não há continuidade aparente entre os dois volumes de Deleuze juntamente com Guattari, o Anti-Édipo e Mil Platôs, e os livros que Deleuze escreveu posteriormente, Cinema 1(Imagem-Movimento) e Cinema 2(Imagem-Tempo). Isto é também instigado pela observação de que o Anti-Édipo e Mil Platôs dependem do cinema para desenvolver e exemplificar muitos dos novos conceitos que estes livros apresentam. Este artigo destaca três desses exemplos em seu trabalho. O fato é que Deleuze e Guattari afirmam que os principais conceitos esquizoanalíticos do corpo sem órgãos, a máquina abstrata e o agenciamento podem ser responsáveis por "todas as coisas"; como tal, esses conceitos devem responder pelo cinema também. É a pura expansividade desses conceitos que os torna atraentes para os estudos de cinema. Não só isso, eles prometem uma maneira de se envolver com cinema que não é dependente de ficções de identificação, reconhecimento e fantasia. Neste sentido, estamos autorizados a supor que em algum grau Cinema 1 e Cinema 2 já estão colocados dentro de uma perspectiva esquizoanalítica, embora de maneira que ainda temos de compreender corretamente. O autor faz uma ligação direta entre o cinema e a esquizoanálise, destacando a importância do delírio para ambos. Este artigo argumenta que a estrada real para a esquizoanálise do cinema é via delírio, ao invés do sonho ou da fantasia. Ele vai mostrar como a formalização do delírio feita por Deleuze e Guattari como um "regime de signos" podem ser usados para inaugurar um novo tipo de semiologia do cinema.




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