sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Berenice de Edgar Allan Poe / Investigações

Edgar Allan poe
Conto: Berenice
1835



Curiosidades e investigações sobre Berenice de Edgar Allan Poe
Conto publicado originalmente em 1835.
Trecho no qual são citadas algumas obras lidas por Egeu, o narrador e protagonista, cujo objeto de obsessão são os dentes de Berenice. Ele sofre de uma espécie de monomania, um tipo de paranoia no qual o paciente fixa uma ideia na cabeça até que ela se torne obsessiva.

Bem me lembro, entre outros, do tratado do nobre italiano Coelius Secundus Curio ‘De AMPLITUDINE BEATI REGNI DEI;” da grande obra de Santo Agostinho, “A CIDADE DE DEUS”; do “De CARNE CHRISTI”, de Tertuliano, no qual a paradoxal sentença: MORTUS EST DEI FILIUS; CREDIBILE EST QUIA INEPTUM EST: ET SEPULTUS RESUR-REXIT; CERTUM EST QUIA IMPOSSIBiLE EST” (O filho de Deus está morto; isto é crível porque é absurdo; e sepultado ressuscitou; isto é verdadeiro porque impossível) , absorveu meu tempo todo, durante semanas de laboriosa e infrutífera investigação.

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Sobre a flor asfódelo




É citada em certo momento a flor Asfódelo, devido à sua simbologia e uso recorrente junto às pessoas mortas.

Trecho que aparece o nome da flor asfódelo em Berenice:
Assim pareceria que, deslocada da posição de equilíbrio somente por coisas banais, minha razão mostrasse semelhança com aquele penhasco no oceano mencionado por Ptolomeu Hephestion, o qual, resistindo com firmeza aos ataques da violência dos humanos, como à impetuosa fúria das águas e dos ventos, tremia apenas sob o toque da flor conhecida pelo nome de asfódelo.




Autor: CHEVALIER, JEAN
Autor: GHEERBRANT, ALAIN
Tradutor: MELIN, ANGELA
Tradutor: SILVA, VERA DA COSTA E
Tradutor: MELIN, LUCIA
Tradutor: BARBOSA, RAUL DE SA
Idioma: PORTUGUÊS
Editora: JOSE OLYMPIO-
1040 páginas

Na Grécia, os asfódelos eram colocados nas tumbas dos mortos e empregados nas cerimônias fúnebres, acreditando-se que facilitavam a passagem dos defuntos aos Campos Elísios, que se supunha atapetados dessa planta.

Flores das pradarias do Hades, são consagradas a esse deus e a Perséfone. Os próprios antigos não tinham clareza das razões para isso e às vezes cortavam ou corrigiam a expressão "campo de asfódelos" para fazê-la significar "campo de cinzas" ou "campo de decapitados".

Por tirar-se álcool dessa planta, talvez, o asfódelo representaria a perda de juízo e dos sentidos, característica da morte. A associação também pode se dever à facilidade com que cresce em ruínas e cemitérios, já que são rejeitadas pelos animais de pasto (embora sejam comidos por porcos e javalis). Considerada como o alimento favorito dos mortos, os antigos costumavam plantá-las perto das tumbas

Apesar de os antigos terem lhe atribuído um cheiro pestilento - sob a influência, talvez, de uma associação com a ideia de morte - o perfume do asfódelo assemelha-se ao do jasmim. Victor Hugo evocou esse perfume em Booz adormecido (Booz endormi) numa "penumbra nupcial" (Ela, fora da vida, e eu, semimorto) na qual a velhice, a dúvida, o enfraquecimento dos sentidos contrastam com a expectativa do amor:

Um fresco perfume desprendia-se dos tufos de asfódelos;
Os sopros da noite flutuavam sobre Galgala...

Ruth sonhava e Booz dormia; a erva era negra...
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Traduções das passagens em Latim

1) (do poeta Ebn Zaiat: Dicebant mihi sodales, si sepulchrum amicae visitarem, curas meas aliquantulum fore levatas)Diziam meus companheiros que, se visitasse o túmulo da amiga, minhas inquietações seriam bastante suavizadas.

2) (MORTUS EST DEI FILIUS; CREDIBILE EST QUIA INEPTUM EST: ET SEPULTUS RESUR-REXIT; CERTUM EST QUIA IMPOSSIBiLE EST) O filho de Deus está morto; isto é crível porque é absurdo; e sepultado ressuscitou; isto é verdadeiro porque impossível.
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Trecho onde aparece a palavra Alcíone:
  • Aproximava-se, enfim, o período de nossas núpcias quando, numa tarde de inverno, de um daqueles dias intempestivamente cálidos, sossegados e nevoentos, que são a alma do belo Alcíone, sentei-me no mais recôndito gabinete da biblioteca. Julgava estar sozinho, mas, erguendo a vista, divisei Berenice, em pé à minha frente.

  • Por que Júpiter, durante o inverno, dava por duas vezes sete dias de calor, os homens passaram a chamar a este tempo benigno e temperado de “a ama-de-leite da bela Alcíone”. – Simônides. (Nota de E.A. Poe).




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